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Bastidores da redação

Sem medo

Texto: Da redação // Foto: Renato Pizzutto
Sem medo
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Final de semana chegando e começam as férias escolares, esta combinação inspirou o pessoal da redação. Vamos falar dos jogos que marcaram nossas tardes de férias e que até hoje ajudam a espantar o tédio. Para começar, quem dá o pontapé inicial é a estagiária Camila Gonçalves.

“Passei boa parte dos fins de semana da minha infância na chácara do meu avô, no interior de São Paulo. Era a oportunidade que eu e meu irmão tínhamos de largar a vida crianças paulistanas cercadas por asfalto e fazer nossas travessuras no chão de terra.

E uma das coisas de que eu mais gostava por lá era brincar com uma lona gigante, dessas de cobrir carga de caminhão. Como o terreno era cheio de pinheiros – aqueles usados em árvore de natal, que espetam – meu pai usava essa lona para recolher as pinhas e puxá-las para fora do caminho. Já eu e meu irmão inventamos uma nova utilidade para ela: um esporte onde um se sentava na lona e o outro puxava. Quando o puxador se cansava, revezávamos.

Às vezes a imaginação ia mais longe, e nós arrastávamos a lona até um barranquinho e improvisávamos um escorrega. Sentávamos no topo e deslizávamos até o fim. Quando a criatividade – e a falta de noção – eram ainda maiores, a gente se ajeitava na lona e fazia ela deslizar pelo barranco, o que rendia espinhos presos na pele e furos na calça, mas também muitas risadas e, hoje, lembranças de uma infância feliz.

Cheguei à conclusão de que os esportes de infância – esses improvisados com lonas, tacos, jogados na rua ou nos gramados mundo afora – são uma espécie de preparo para a vida. A gente escorrega, pula, cai, se machuca, chora e passa. Sem mágoa, sem dor, sem medo de escorregar de novo cinco minutos depois. Conforme fui crescendo, perdi o interesse na lona. Talvez porque a gente amadurece e deixa de gostar de coisas de criança. Ou talvez porque a gente passa a ter medo de escorregar no barranco, sem saber se vai se machucar pelo caminho ou o que vai encontrar lá embaixo. Não sei se eu era mais sábia ou mais ingênua antes.”


Escrito às 17h40 do dia 25 de junho de 2009

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