Bastidores da redação
Sobre revistas e pontes

No primeiro semestre desse ano, a coordenadora de projetos Amanda Rahra, a repórter Nina Weingrill e a estagiária de produção Laura Sobenes, colegas na MOL, ofereceram uma oficina de jornalismo para as crianças da ong Casa do Zezinho. A experiência foi tão gratificante que Amanda fez questão compartilhar suas impressões. Confira!
“Agosto de 2008. Gravador, caderninho e 50 perguntas para Dagmar Garroux, a Tia Dag, educadora responsável pela Casa do Zezinho, uma das mais bem sucedidas experiências de educação não formal no Brasil. Foi assim, como repórter da revista Sorria, que cheguei ao chamado ‘triângulo da morte’, região na zona Sul de São Paulo onde ocorre metade dos homicídios da capital paulista.
Depois de três horas de conversa, me senti desnorteada e maravilhada. Em um mês, estava lá de novo, agora como pessoa física. Fui conversar com o Saulo Garroux, marido da Tia Dag e responsável pelas oficinas relacionadas à comunicação. ‘Afinal, qual é a sua ideia de projeto?’, ele quis saber.
Para responder a essa pergunta, recebi o fundamental apoio de duas colegas da MOL: a repórter Nina Weingrill e a produtora/fotógrafa Laura Sobenes. Elas não pouparam esforços para me ajudar a formatar uma oficina de jornalismo para a Casa do Zezinho.
Sábado de sol, dia 18 de janeiro de 2009. Nina, Laura e eu saímos da zona Oeste de São Paulo para cruzar a ponte com destino ao Capão Redondo. Quando chegamos à Casa do Zezinho, vimos que dos 15 alunos confirmados, apenas cinco estava presentes. Todas as dinâmicas que havíamos programado acabaram sem sentido… Então, abrimos uma roda e começamos a conversar sobre família, amigos, amores, escola, cultura, comunicação, jornalismo.
Na volta para casa, as três estavam caladas. Até que uma de nós soltou um ‘uaaaaauuu!’. Era o gancho de que precisávamos para que cada uma descrevesse suas percepções, preocupações e desejos. Não havia dúvidas: aquela seria uma experiência transformadora para todas nós.
Os sábados foram passando e os educadores da Casa começaram a querer saber quem eram as meninas que atraíam cada vez mais alunos para uma oficina de jornalismo aos sábados. As discussões sobre o fanzine a ser produzido pelos alunos se tornavam cada vez mais intensas e produtivas. Definimos juntos a missão, o nome da publicação, o número de páginas, as pautas de cada uma das seções, a periodicidade e o cargo de cada um dos ‘zezinhos’ – repórteres, fotógrafos, editores, produtores, diagramadores.
Mas talvez a grande transformação tenha sido sentir que a cada encontro nossa relação com os zezinhos se fortalecia. As meninas foram soltando os cabelos e se abrindo para as novidades. E cada um foi contando sua história de vida e mostrando suas habilidades.
O verão terminou e o resultado nos surpreendeu: os cinco alunos e sábados (previstos no projeto) se tornaram quinze. Nossa animação acabou contagiando outros amigos, de dentro e de fora da MOL, que foram essenciais para que ao final de três meses tivéssemos em mãos uma revista feita por zezinhos.
Em dois meses vai fazer um ano que cruzei a ponte em direção ao Capão Redondo pela primeira vez. E não consigo nem descrever a alegria e gratidão por todas essas pessoas que se dispuseram a atravessar esta fronteira para viver uma experiência transformadora tanto para a zona Oeste e para a zona Sul.
Obrigada aos incríveis parceiros da Editora MOL, aos empenhados Zezinhos (Leca, Bia, Bruna, Camila, Carol, Niña, Débby, Fê, Jonny, Micael, Natty, Pri, Rubens, Thais, Zaira) e a todos que acreditaram e tornaram esse sonho possível.”
Escrito às 15h42 do dia 15 de junho de 2009

















































