Bastidores da redação
Trabalheira gostosa

Gostamos de filmes que trazem histórias com as quais a gente se identifica, nos inspiram. Nesses, a gente chora, deles usa frases que podem até ilustrar um conselho dado a um amigo. Mesmo que contem episódios distantes de nós em tempo e espaço, falam de gente próxima, por ser parecida, e nos dão a sensação de sermos compreendidos.
É com essa ideia que construímos a deliciosa seção Amar, da Sorria. Reunindo várias grandes histórias contadas em pequenos textos, ela é uma das mais bonitas da revista – tanto de fazer quanto de ler. O trabalho é proporcional à beleza, já que caçamos muito mais personagens do que os 20 ou 30 que saem na revista. É terrível ver que o papel não tem espaço para todas as lições com as quais queríamos contagiar o mundo.
Na edição 9, esta que acaba de chegar às lojas, eu fiquei responsável pela seção Amar, que dessa vez trata sobre a primeira vez que as pessoas fizeram coisas importantes em suas vidas. Aproveito o espaço do blog para postar duas histórias que infelizmente não couberam na revista. Uma fala de uma realidade distante, que me deu mais forças para lutar – por mim e pelo que acredito. A outra é simples como são as coisas da infância, e mostra que é isso o que nos torna especiais. Leiam aí:
Protegido de mim
“Comecei a usar drogas aos 13 anos, bebendo e fumando maconha. Mas foi aos 18 que experimentei o que quase acabaria comigo: o crack. Cheguei a passar dias morando na rua, junto aos traficantes, só para facilitar meu acesso à droga. Só não matei para consegui-la. Um dia, depois de quatro na rua, despertei: parava ou acabaria morrendo. Liguei para minha mãe e falei para ela me internar assim que – e se – eu chegasse em casa. Tomei vários remédios para dormir e só acordei na clínica. Pensando nas vezes em que já havia tentado parar e não tinha conseguido, nas em que fui comprar crack chorando, me senti fracassado. Mas tive esperança. Fiquei feliz por saber que na clínica estava protegido de mim mesmo. Desde então passou-se mais de um ano e meio, totalmente limpo. Mudei de cidade, consegui um emprego, reencontrei minha ex-namorada e não faltam planos entre nós.”
Flamarion Jorge, 28 anos, Brasília (DF)
Futuro de menina
“Convenci meu pai a me a dar mesada, pedindo, pedindo até ele me dar. Levou uma meia hora. Desde o ano passado ganho R$ 10. Um tempo, pedi para ele guardar o dinheiro, aí juntou R$ 40, a gente foi na livraria e comprou um livro. Agora ganho todo mês e guardo no porquinho, aí peço moedas todos os dias para chocolate, maquiagem… Guardo para no fim do ano comprar um celular. Já vi na loja um que tem câmera, rádio, um monte de coisas e custa R$ 150. Vai dar. Às vezes eu fico com saudade do meu pai, da minha mãe, daí eu vou ligar pra eles. E pras minhas amigas, pra virem brincar comigo.”
Luiza Pereira Mello, 8 anos, Joinville (SC)
Escrito às 22h59 do dia 12 de agosto de 2009

















































