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Brincadeira e seriedade


Na seção Conhecer da Sorria 21 contamos a história de Edgard Gouveia Júnior, que há 10 anos está a frente do Instituto Elos. Ele nos mostrou como o trabalho que começou com a revitalização do Museu da Pesca, em Santos, hoje tem o objetivo de tornar sonhos, realidade! Se você gostou da matéria, vai adorar ler o restante da entrevista a seguir.
Como foi a reconstrução do Museu da Pesca?
Edgard – A ideia surgiu de um grupo de alunos da faculdade. Eles queriam restaurar o museu, mas teria de ser envolvendo a comunidade nas decisões arquitetônicas e no fazer da reforma. Fui convidado a participar e aceitei. Começamos com cinco pessoas e terminamos com cem. Aquele bando de moleques surpreendeu todo mundo fazendo um museu de alto nível com a participação das pessoas que viviam no entorno.
Foi daí que veio a ideia do Guerreiro sem Armas?
Edgard – O resultado foi tão legal que um grupo de estudantes e professores de arquitetura da América Latina veio para cá descobrir como a gente tinha conseguido todo esse engajamento. E foi assim que percebemos que, para aprender arquitetura era preciso uma universidade aberta, voltada para o lado de fora. Como criar uma faculdade poderia demorar muito, desenhamos um curso de verão, com jovens estudantes, que ia para dentro das comunidades diagnosticar os problemas e propor soluções conjuntas. Esse curso virou o Guerreiro Sem Armas.
E como funciona esse programa?
Edgard – A gente escolhe uma comunidade com baixo índice de desenvolvimento humano, abandonada, nas quais ninguém presta atenção. A primeira ação é olhar as belezas locais. Descobrir os talentos, as potencialidades, recursos materiais e as instituições ao redor (uma serralheria, uma mercado, uma escola...). O segundo passo é conversar com as pessoas e estabelecer uma conexão afetiva. Buscamos os sonhos, aquilo que não está relacionado à realidade imediata. É engraçado que a maioria primeiro pensa em bens materiais e individuais, como arrumar a própria casa. Mas então a pessoa olha para cima, suspira, até muda o tom de voz e diz algo assim: "O que eu queria mesmo é que as crianças daqui fossem felizes".
E onde os guerreiros lá lutaram?
Edgard – No Dique da Vila Gilda, às margens dos rio dos Bugres, em Santos, por exemplo. Grande parte das casas desse lugar são formadas de palafitas e, em 1999, chegamos até elas. Juntos, guerreiros e moradores construíram uma creche e uma associação de palafitas. Foi a primeira das grandes vitórias da comunidade. Tempos depois, ela se mobilizou, conseguiu um terreno da prefeitura e construiu uma nova creche, apoiada pelo Elos. Em 2002 nasceu o projeto Arte no Dique, que hoje é um instituto, referência na Baixada Santista em produção cultural.
Escrito às 11h48 do dia 19 de agosto de 2011


















































