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Ensino: problema meu

Texto: Da redação // Foto: Katie Harris
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A seção Trabalhar da Sorria 15 fala sobre profissionais que decidiram investir seu tempo livre e sua experiência para colaborar com quem ainda está na escola. Um dos entrevistados criou uma ONG que estimula empresas a adotar colégios públicos. Outra formou-se graças a uma bolsa recebida por um programa que banca os estudos de alunos carentes de potencial promissor. Hoje, ela é uma das financiadoras da iniciativa. Tem também uma escola que estimula ex-alunos a participar de feiras vocacionais, ajudando os atuais estudantes a escolher qual carreira seguir. Quer conhecer mais uma história desse tipo? Veja abaixo!

 

Mauro Gomes, de 35 anos, é gerente de uma agência bancária em São Paulo. Há cerca de um ano, ele voltou a frequentar a escola. Não está fazendo nenhuma pós-graduação, especialização ou coisa assim. Na verdade, sequer é aluno. Mauro, na verdade, tem trabalhado como voluntário, usando sua experiência de gestão para auxiliar a diretoria da Escola Estadual Clorinda Danti a melhor administrar a instituição, que atende a 480 alunos de 6 a 11 anos.

As deficiências do sistema de ensino brasileiro sempre chamaram a atenção de Mauro. "Nunca me conformei com o fato de que algumas pessoas têm oportunidade de estudar e outras não", conta. O empurrãozinho que faltava para o gerente se tornar parte da solução veio da empresa em que trabalha. O banco possui um projeto chamado Escola Brasil, que estimula os funcionários a atuar como voluntários em colégios públicos. Para isso, podem usar quatro horas mensais do seu expediente.

Assim que Mauro chegou à Clorinda Danti, a primeira ideia foi reunir a coordenação, professores e pais de alunos para que juntos identificassem as principais demandas e pensassem em soluções. A diretora, Rosana Miranda, de 50 anos, conta que no início ficou meio incomodada com os pitacos dos voluntários. “Não é fácil aceitar que pessoas de fora, sem formação em educação, opinem sobre os problemas com que você convive diariamente. Mas é preciso ter o peito aberto, saber que nada é imposto e que a intenção é de ajudar, melhorar o ensino", conta.

Uma das mudanças já posta em prática foi a ampliação da comunicação entre a escola e os pais: os alunos passaram a levar para casa um caderno atualizado diariamente com os eventos que acontecem no colégio. Também foram organizados passeios pelo centro histórico da cidade. E o próximo passo será a construção de uma sala de leitura, cujo projeto Mauro já encaminhou a um amigo engenheiro.

"Não damos dinheiro, mas suporte. É como manobrar um transatlântico: não basta virar o remo, é um processo planejado e demorado. A intenção é fazer a comunidade se aproximar cada vez mais da realidade da escola”, diz Mauro. O retorno vai além do que ele esperava. “Eles me ensinam muito sobre comportamento social. Meus filhos vão comigo às vezes, brincam com as crianças e enxergam um mundo diferente daquele em que vivem no dia a dia. Me sinto participando de uma cadeia de felicidade”.


Escrito às 18h31 do dia 19 de agosto de 2010

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