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O júri

Texto: Karina Sérgio Gomes // Imagem: Ronaldo Lima Jr.
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Nessa última edição da Sorria, eu e a Carol, que trabalha aqui no RH da Editora MOL, recebemos uma missão: participar de reuniões políticas abertas ao público. Fomos a debates, audiências públicas, assembleias... Tudo foi relatado na seção Cuidar da edição impressa. Aliás, quase tudo: uma das experiências mais curiosas pelas quais passamos eu vou contar agora, aqui no blog. Foi o acompanhamento de um júri popular.

O Fórum Criminal da Barra Funda, aqui em São Paulo, abre às 13h, mas ao meio-dia as pessoas já formavam uma grande fila para entrar. Perguntamos ao senhor que estava no portão qual era o motivo da multidão.

– Você é advogada? – ele indagou.

– Não, sou ser humano – respondi.

Ele riu e disse que eu teria mesmo de pegar aquela fila para entrar. Assim que o Fórum abriu as portas, ela andou rápido. Antes de entrar, passamos por uma revista. Policiais militares examinaram nossas bolsas e passamos por um detector de metais. Então fomos descobrir onde ficava o tal júri popular.

– Vocês são estudantes? – perguntou o moço do balcão de informação.

– Não, estamos aqui como pessoas quaisquer. Só viemos para assistir ao júri.

Ele me olhou estranho e me explicou como deveria fazer para chegar ao local das audiências. Para entrar, nenhum impedimento. A sala me lembrou as que costumamos ver em filmes sobre tribunais – mas sem o luxo dos móveis de madeira talhada.

A ré estava sendo julgada pela participação em um homicídio. Na plateia, apenas pessoas próximas dos envolvidos e estudantes de Direito.

Estávamos ali apenas como observadoras. Só integra o júri quem é convocado ou se inscreve para tal. “É super raro que alguém se candidate espontaneamente para ser jurado”, diz a juíza Liza Livingston. Para ela, participar de um julgamento, mesmo como plateia, é importante pelo menos para saber como funciona a justiça do país.

E é também uma experiência divertida. Assistir a uma sessão dessas ao vivo dá a sensação de que você está em um teatro. Promotores e advogados contam suas versões do caso de forma muito envolvente. Até crimes simples, na elocução deles, parecem terem sido criados pelas mãos de um hábil roteirista. Mesmo sem qualquer poder de voto, me vi torcendo pelo final mais emocionante. Naquela tarde vivenciamos o que só tínhamos visto no cinema. E sem pagar nada pra isso!

Em média, acontecem quinze sessões por dia, de segunda a sexta-feira, no Fórum Criminal da Barra Funda. Para assistir a uma delas, basta chegar lá antes das 13h. (Procure pelo Tribunal de Justiça do seu estado e informe-se sobre os endereços e horários na sua cidade!). Casos que correm sob sigilo de justiça são os únicos que não podem ser assistidos.

Para saber mais sobre nossas andanças pelas reuniões abertas ao público, leia a Sorria 19, que está à venda nas lojas da Droga Raia.

 

Para ler a matéria que originou essa aventura extra, clique aqui.


Escrito às 12h06 do dia 18 de abril de 2011

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