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Outros grandes feitos

Da redação
Outros grandes feitos
Foto: Daniel Mitsuo (flickr.com/photos/fore/)
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A seção Amar, da Sorria nº 13, que está à venda, traz uma série de relatos das maiores realizações da vida de gente comum, como eu e você. Nem todos os depoimentos que recebemos couberam na revista. Confira algumas belas histórias que chegaram à nossa redação e acabaram ficando de fora da edição impressa.

 

Apesar de a comunidade chinesa ser bastante grande aqui em São Paulo, não havia nenhum grande evento que divulgasse a nossa cultura aqui. Eu e uma comissão de outras 19 pessoas, todas voluntárias, abraçamos a causa. Nos dedicamos por meses, com o apoio de quase ninguém. Assim, organizamos a primeira festa do Ano Novo Chinês no Brasil, em 2006. Esperávamos 80 mil visitantes. Foram 160 mil! Hoje, a festa está no calendário oficial da cidade de São Paulo e é um dos maiores festivais de cultura chinesa do mundo!
Ricardo Chen, 29 anos, São Paulo (SP).

 

Nunca recebi as glórias pelo meu grande feito, porque ele era um segredo meu de menina. Quando eu tinha 12 anos e minha irmã apenas 5, estávamos no carro, com a família inteira, e eu lhe dei uma bala. Dessas grandes, gostosas e que escorregam na boca. Com o balanço do veículo, ela engasgou e não conseguiu mais respirar. Fiquei apavorada. Dei umas batidas nas costas dela e, ufa!, a bala saiu. Ninguém percebeu nada, e eu também não fiz nenhuma questão de falar, porque sabia que levaria bronca. Ainda bem que foi só um susto!
Enice Augusta de Paulal, 43 anos, São Paulo (SP).

 

Há dez anos, minhas tardes de domingo são bem coloridas. Visto roupas divertidas e vou para a Santa Casa de Misericórdia. Lá eu brinco, conto histórias, faço esculturas com balões e dou muita risada com as crianças internadas. No começo, éramos duas pessoas. Hoje, o Grupo Amor em Gotas já tem mais de 30 voluntários!
Sueli Arlette, 49 anos, São Carlos (SP).



Tenho um grupo de amigos queridos que conheci há cerca de 25 anos, na escola, em Santos (SP). Hoje, nossas vidas são completamente diferentes entre si. Ainda assim, quando nos encontramos, parece que nada mudou. É sempre a mesma animação, todo mundo contente em estar junto, com a mesma cumplicidade daquele tempo. Esse é meu maior feito: apesar das correrias e transformações da vida, ter conseguido manter meus amigos de infância.
Bartira Betini, 35 anos, São Paulo (SP).



Aos 13 anos, tive de tomar uma decisão que mudaria para sempre minha vida. Poderia continuar estudando no curso profissionalizante de torneiro mecânico, no Senai, no qual tinha acabado de me matricular, ou voltar ao colégio particular em que havia feito o primário. Meus pais não tinham condições financeiras de me manter nesta escola. Mas a direção nos ofereceu uma bolsa, em troca de pequenos serviços na secretaria. Tranquei-me no quarto, junto com meu irmão, que passava pela mesma situação, e ficamos uns bons momentos pensando. Ficar no Senai era o caminho mais simples. Logo teríamos um diploma e poderíamos "garantir o futuro com uma profissão", como se dizia na época. Do outro lado da porta, minha mãe rezava para a gente voltar à escola particular. E foi essa a nossa opção. Graças a essa decisão, concluí o ginásio, o científico e entrei para a engenharia, ofício que proporcionou algumas das conquistas mais importantes da minha vida. 
Dilson do Valle Branco, 67 anos, Rio Grande (RS).



Não vou falar de mim, mas do meu pai, Jonas das Neves. Ele sempre gostou de ajudar outras pessoas. Depois que se aposentou, em 1996, passou a dedicar a vida a isso. Ao ver que as crianças tinham dificuldade em atravessar a rua na saída da escola, por exemplo, ele se transformou numa espécie de guarda de trânsito informal. Trabalhou como voluntário no Centro de Valorização à Vida (CVV) por mais de 10 anos. Também doou seu tempo e esforço ao Alcoólatras Anônimos (AA), mesmo sem nunca ter tido problemas com bebida. Ao ouvir as reivindicações dos moradores e repassá-las para a prefeitura, conseguiu que duas passarelas fossem construídas no bairro. Falecido em 2008, seu maior feito foi mostrar que pequenas ações podem melhorar muito a vida de quem está ao nosso lado.
Cristiane Neves, 39 anos, São Paulo (SP).



Achei que me mudar para Porto Velho, fazendo uma viagem de São Paulo, sozinho, de carro, era um grande feito. Mas foi só após me instalar na cidade que tive uma ideia realmente ousada: atravessar o coração da floresta amazônica, da capital de Rondônia até Manaus, de moto. Tratam-se de 900 quilômetros de estradas em péssimas condições. Num trecho de mais de 570 quilômetros não há posto de gasolina, oficina, hotel nem socorro médico. Com certas precauções e muito espírito de aventura, eu e o amigo que me acompanhou chegamos na capital do Amazonas depois de cinco dias de viagem. Na bagagem, trouxemos a satisfação por ter sobrevivido e a memória do maior feito de nossas vidas. Ao menos até a próxima expedição.
Daniel Nascimento Medeiros, 25 anos, Porto Velho (RO).



Depois de quase 30 anos sem nos ver, reuni minha turma do colégio. Eu não sabia do paradeiro de ninguém, mas lembrava do nome completo da maioria. Procurei na internet, aí um foi passando o contato de outro e assim foi acontecendo. Marquei a data com dois meses de antecedência, para ninguém ter desculpa para faltar. No dia do encontro, em um bar, era aquela apreensão: ficávamos de olho em cada pessoa que entrava, na expectativa de ver um rosto conhecido. Foi ótimo. Todo mundo surpreso com as reviravoltas da vida, curiosos para saber que rumo cada um tomou. Agora, nos reunimos pelo menos uma vez por ano.
Paulo Tadeu, 46 anos, São Paulo (SP).

 

Aos 21 anos, sofri um acidente de carro que me deixou tetraplégico. No começo, eu não entendia e nem queria entender o que isso significava e como minha vida se transformaria. Passei por cirurgias, fiquei internado e fiz dois anos de reabilitação. Movimentando só um pouco dos braços, fui entendendo, em doses homeopáticas, que mudei fisicamente, mas que continuava a mesma pessoa, com os mesmos sonhos e mesmos defeitos. Dois anos e meio depois eu voltei para o meu trabalho e prestei vestibular para retornar ao curso de economia. Acompanhava a aula com os colegas, fazia as provas oralmente. A minha condição nunca me impediu de trabalhar, ter amigos e esperança. Já passei mais tempo da minha vida na cadeira de rodas do que fora dela. Tenho que fazer algumas coisas de uma maneira diferente da que fazia antes. Mas posso realizá-las, e posso ser feliz, com certeza.
José Bonifácio de Lima Filho, 45 anos, São Paulo (SP).



Meu maior feito tem sido dedicar a vida inteira aos livros. Sou de Currais Novos (RN), me mudei para São Paulo em 1965. Dez anos depois, publiquei o primeiro livro pela editora que possuo até hoje. Em 2004, houve um episódio curioso. A empresa foi assaltada. Os ladrões queriam que eu abrisse o cofre, mas eu não sabia fazer isso, é uma função que deixava para minha filha. Aí peguei uma coleção de livros infantis e ofereci ao líder do bando. “Leva isso para os seus filhos, que assim eles terão uma vida diferente da sua”, disse. Ele prontamente aceitou, deixando o local sem nenhum centavo, mas com os braços cheios.
José Cortez, 73 anos, São Paulo (SP).


Escrito às 20h31 do dia 19 de abril de 2010

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