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Passe livre para a história

A seção Conviver da Sorria 15, que acaba de chegar às lojas da Droga Raia, traz histórias de pessoas que decidiram investigar as raízes de suas famílias. Ao procurar saber quem eram e como viviam seus antepassados, elas acabaram experimentando grandes emoções. Quer ler mais uma história desse tipo? Então confira abaixo como foi a busca da cineasta carioca Sandra Kogut, de 45 anos.
Há pouco mais de uma década, Sandra Kogut morava em Paris. Descendente de húngaros, decidiu que tentaria obter um passaporte europeu, o que facilitaria sua estada na França. O processo levou cerca de dois anos. Ao fim desse período, Sandra conquistou muito mais do que um passe livre no Velho Mundo: produziu um filme em que conta sua odisseia em busca do documento (Passaporte Húngaro, lançado em 2002), aprofundou o conhecimento sobre as origens de sua família e conheceu um novo significado para a palavra identidade.
A personagem que mais aparece no filme de Sandra é sua avó, Mathilde Lajta. Nascida em Viena, na Áustria, ela conta que se tornou húngara ao se casar, em 1925, quando adquiriu a cidadania do marido. Em 1937, nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, engravidou. Ao perceber que o clima no continente estava ficando pesado, decidiu ter o filho em outro lugar. Como já tinha um irmão morando no Brasil, Mathilde decidiu seguir o mesmo caminho. A três meses do parto, em 1938, o casal desembarcou no país.
Para cumprir as burocracias em busca do passaporte, Sandra viajou à Hungria. Ela já havia estado lá na juventude, em 1982, quando fez um mochilão pela Europa com a irmã. "Ainda era época da Guerra Fria, a Hungria era outro planeta. Visitamos alguns parentes, e lembro do choque de ver fotos iguais às nossas nas casas das pessoas. A semelhança física com meu avô também era impressionante", lembra a cineasta. Quando voltou ao país do Leste Europeu, em 1999, durante a gravação do filme, as coisas tinham mudado um pouco. "Dessa vez já era mais fácil a comunicação, pois a nova geração falava inglês", diz.
O encontro e ajuda dos tios-avós e primos de segundo grau foi fundamental para Sandra conseguir seu passaporte. E também para estimular várias reflexões. “É estranho você se sentir próxima de pessoas que estão tão longe e que falam uma língua que você nem entende. Mas foi exatamente assim. Eu tinha a impressão de conhecê-los mesmo antes de vê-los pela primeira vez”, conta.
A busca pelos familiares distantes acabou mudando a forma como a cineasta se enxerga em relação ao mundo. “Antes do filme eu me sentia estrangeira em todos os lugares, até mesmo no Brasil. Depois, a situação se inverteu. Hoje, me sinto em casa em qualquer lugar do planeta. E isso é uma sensação muito liberadora”, diz.
Escrito às 17h49 do dia 05 de agosto de 2010

















































