Droga Raia

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Preciso dizer obrigado

Texto: Da redação // Foto: screanzatopo
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Na seção Amar da Sorria 17, coletamos diversos depoimentos de pessoas que têm algo a agradecer a alguém. Como sempre costuma acontecer, acabaram chegando em nossa redação mais relatos do que cabe nas páginas da revista. Então, como prometido na edição impressa, segue aqui mais uma lista cheia de gratidão. Confira!

 

Inesquecível é o esforço de meus pais em apostar na minha educação. Enquanto o povo torcia orgulhoso pela seleção que conquistava o tricampeonato no México, eu, aos 4 anos, tentava juntar as letrinhas de um informativo de nome Telhadinho, que meu pai levava pra casa após a atenta leitura de todos os operários da fábrica. Percebendo meu interesse, ele providenciou um quadro negro para que, junto a meus irmãos, eu recriasse o ambiente escolar naquele quintal estreito, onde mal o sol batia. Ali, dei minhas primeiras aulas – antecipando aquele que seria meu ofício anos mais tarde.
Osni Dias, 45 anos, Atibaia (SP).

 

Ainda criança decidi ser estilista. Sempre adorei rabiscar modelitos – principalmente com meu avô, o melhor desenhista que conheço – e criar roupas para minhas bonecas. Aos 13 anos, ganhei dos meus avós um presente inesquecível: minha primeira máquina de costura. Foi com ela que fiz todos os trabalhos da faculdade de moda. O que me machuca é que minha avó não pôde me ver formada. De herança, ela me deixou a máquina dela, daquelas bem antigas, lindíssima. Está guardada para o dia em que eu tiver o meu ateliê. Lá manterei, para sempre, com todo carinho, esses dois presentes cheios de significado.
Natalie Pujol, 22 anos, São Paulo.

 

Em 2009 fiz um mochilão com dois amigos pela Europa. Em Viena, na Áustria, deparamos com uma dificuldade: a máquina para comprar o bilhete do metrô. Ficamos alguns minutos olhando para a tela do computador, tentando descobrir qual das milhares de opções seria a melhor. Foi então que um rapaz, apressado, parou e disse algo em alemão para a gente. Não entendemos nada. Tentamos nos comunicar em inglês, mas aí era ele que não compreendia. Após  algumas mímicas frustradas, ele pegou o dinheiro das nossas mãos. Ficamos com medo de ser roubados, mas ele só queria ajudar mesmo: colocou a nota na máquina, selecionou as opções e comprou os bilhetes. Depois disso, simplesmente foi embora.
Amanda Balbi, 23 anos, Rockville (EUA).

 

Eu tinha verdadeira paixão pela minha boneca Barbie. Porém, um dia, a perdi. Fiquei super chateada. Como eu era muito pequena, tenho poucas lembranças dessa época, mas uma imagem ficou gravada na minha memória para sempre. Era de tarde e eu estava tristinha, sentada à janela do apartamento. De repente, um enorme caminhão com o símbolo de uma loja de brinquedos parou em frente ao prédio: meus pais tinham encomendado duas bonecas Barbie para me dar de presente. Uma delas é, hoje, o único brinquedo da minha infância que ainda tenho comigo.
Bárbara Menezes, 26 anos, São Paulo.

 

Nunca fui boa com cálculos e raciocínios matemáticos. Até que apareceu uma professora que mudou meu modo de aprender. Ela lecionava havia mais de trinta anos, já era aposentada, mas ainda muito apaixonada pela profissão. A aula era dureza, mas minhas notas subiram, e, com o tempo, me tornei uma aluna mais aplicada. Atualmente, estou cursando faculdade de História e sinto que muito devo a esta professora que, além de me ajudar a superar uma dificuldade, ainda me estimulou a ir além, a buscar aquilo que me inspira e a formar minha opinião.
Léa Blezer Araújo, 19 anos, Limeira (SP).

 

Um dia, andando de moto na estrada, fui surpreendido por um motorista que trocou de faixa de forma imprudente. Bati na traseira do carro e caí. Aí vários motoqueiros pararam para fechar o trânsito, evitando que eu fosse atropelado. Mantiveram a pista interrompida até o resgate chegar.
Bruno Alves Martins, 21 anos, São Bernardo do Campo (SP).

 

Eu estava passeando com minha cachorrinha em uma rua agitada. Ela se assustou com o barulho e escapou da coleira, correndo para o meio da pista. Por causa do grande movimento, eu não conseguia alcançá-la. Então um caminhoneiro percebeu meu desespero e fechou a rua com a carreta. Graças a isso, pude apanhá-la antes que fosse atropelada.
Giulia Gazeta, 19 anos, São Caetano do Sul (SP).

 

Quando era criança, meus pais se separaram. Minha mãe, sozinha, precisou de apoio para me criar e recomeçar a vida. Foi quando meu tio nos acolheu. Moramos com ele e seus filhos durante anos, até nos estabilizarmos. Mais tarde, aos 17 anos, eu estava sem saber o que fazer da vida, em condições financeiras precárias e sem perspectivas. Mais uma vez, meu tio apareceu, oferecendo-me emprego na empresa que estava abrindo. Ele me ensinou generosidade na prática, mostrou-me o bom e o ruim da vida e, acima de tudo, deu-me um modelo de homem a ser seguido.
Emanuel Lira, 25 anos, Patos (PB).

 

Em maio de 2007, adoeci gravemente. Tive dores tão fortes que mal conseguia me mexer. Após dois infartos, uma parada cardíaca e 16 dias de UTI, tive o diagnóstico: lúpus. Foi difícil. Às vezes, quase insuportável. Mas ao meu lado estavam pessoas que me amam profundamente e que me deram forças para que eu conseguisse lutar. Sem elas, não sei se os médicos teriam sido competentes o suficiente para me tirar daquela situação. Em meio às crises de choro, eu encontrei na família, nos amigos, e até mesmo na equipe do hospital o amor e o carinho de que eu precisava para sair de lá curada.
Samantha Ovídio, 22 anos, Natal (RN).

 

Aos 9 anos, tive uma queimadura grave no abdômen que nenhum remédio conseguia resolver. Meu tio, que trabalhava no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ficou sabendo de uma pomada que poderia dar conta, mas ela não era vendida no Brasil. Então ele pediu ajuda a um piloto, que aproveitou uma viagem à Alemanha para fazer a compra. Sem nem me conhecer, ele salvou minha vida.
Henrique Pereira, 28 anos, São Bernardo do Campo (SP).

 

Conheci o Guto quando cursávamos jornalismo. Começamos a namorar no segundo ano, quando eu já pensava em desistir da profissão. Como eu trabalhava na faculdade em troca de bolsa, parar tudo, naquele momento, estava fora de cogitação. O Guto sempre esteve ao meu lado até nos formamos, em 2002. No final de 2006, cheguei ao meu limite. Já casados, conversamos muito sobre essa minha questão. E ele foi incrível: me deu apoio emocional e financeiro durante os três anos e meio do curso de pedagogia. Hoje estou plenamente realizada. No dia da formatura, dediquei meu diploma a ele e sempre o agradeço por tudo o que fez por mim.
Liliana Francischini, 29 anos, São Paulo.

 

Meu pai é escritor e me ensinou a ter verdadeira paixão pelos livros. A primeira vez em que eu andei, foi engraçado: ele me conta que fui direto à estante. Passei grande parte da minha infância na biblioteca dele, que tem mais de cinco mil títulos. Eu chegava da escola, depois do almoço, e ficava lá até a hora do jantar. A influência foi tão forte que eu não quis seguir outro caminho. Me formei em Letras e trabalho com meu pai em uma coleção de literatura que já está no quinto volume.
Renata Tufano, 37 anos, São Paulo.

 

No início do meu curso de medicina eu gastava muito dinheiro com livros e cópias de textos. Em um dos momentos mais difíceis, surgiu outra necessidade: a de ter uma maleta médica. Fiquei bastante apreensiva, pois era cara demais. Minha avó soube da minha preocupação e, com a ajuda da minha mãe, me deu a bolsa de presente. Um ano depois, precisei de um jaleco – farda obrigatória para o atendimento no hospital universitário. Minha avó não só me deu o dinheiro para comprá-lo como ainda fez questão de passar todas as dicas sobre os melhores modelos e tecidos, relembrando seus tempos de costureira.
Márcia de Freitas Dias, 28 anos, Natal (RN).

 

Decidido a fazer faculdade na Universidade de São Paulo (USP), me mudei de Belém para Ribeirão Preto (SP). Muito jovem, eu me sentia perdido longe da família. Andando pela rua, perguntei a uma senhora se ela tinha alguma dica de lugar para ficar. Ela disse que eu podia ir para a casa dela, pois um de seus filhos havia se mudado e havia um quarto disponível, de graça. Fiquei lá por um mês e, com a ajuda dela, arrumei um apartamento para alugar. Ela não só foi minha fiadora como me ajudou a mobiliar meu novo lar. Durante o curso, ela ainda me ajudou a fazer feira e sempre me oferecia apoio emocional. Graças a sua ajuda e carinho, não só me formei em biomedicina, como também fiz pós. Ela foi e é minha segunda mãe.
Moacir Bentes Neto, 28 anos, Belém (PA).


Escrito às 11h02 do dia 16 de dezembro de 2010

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Li todos os depoimentos e um deles me chamou mais a atenção: o da Renata Tufano, por causa do sobrenome e por ter descrito o pai como escritor. Como professora de Português aposentada, educadora para sempre, "aposto e ganho", como se dizia antigamente que o pai da Renata é Douglas Tufano. Graaaaande autor de livros didáticos de apoio, especificamente Gramática, que utilizei para preparar aulas, para aprender mais sobre Língua Portuguesa e continuo a consultar quando em dúvida. Todos os depoimentos foram emocionantes e agradeço poder homenagear Douglas Tufano, mesmo que Renata não seja a filha dele.
Maria L?cia Bernardini
Li todos os depoimentos e um deles me chamou mais a atenção: o da Renata Tufano, por causa do sobrenome e por ter descrito o pai como escritor. Como professora de Português aposentada, educadora para sempre, "aposto e ganho", como se dizia antigamente, que o pai da Renata é Douglas Tufano. Graaaaande autor de livros didáticos de apoio, especificamente Gramática, que utilizei para preparar aulas, para aprender mais sobre Língua Portuguesa e continuo a consultar quando em dúvida. Todos os depoimentos foram emocionantes e agradeço poder homenagear Douglas Tufano, mesmo que Renata não seja a filha dele.
Maria Lúcia Bernardini
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