Extras de matérias
Reencontrar é viver!


Na seção Amar da Sorria 21 coletamos diversos relatos de nossos leitores. Cada um compartilhou conosco os reencontros mais marcantes de suas vidas. Aqui você confere mais um bocado de histórias emocionantes.
Quando completei dez anos de casada, saí da cidade baiana de Vitória da Conquista para morar em São Paulo. Fazia tempo que não via minha mãe, que mora no Paraná. Num belo dia, minha irmã preparou o maior susto da minha vida. Ela parou em frente à minha casa e gritou: “Maria! Trouxe uma vendedora de roupas para você comprar algumas peças! Vem cá ver!”. Na época, estava sem emprego e não podia adquirir nada. Abri a porta para agradecer minha irmã e dispensar a vendedora. E mal pude acreditar: era minha mãe! Demos um abraço apertado, choramos muito – não nos víamos há mais de 15 anos. Foi um reencontro lindo, um sonho realizado.
Maria Vitória Damasceno dos Santos, 71 anos, Barueri (SP)
Num sítio no interior de São Paulo, vivia uma família muito pobre. José, o filho mais velho, aos 10 anos já cultivava a terra para ajudar a família. Marcos, o mais novo, era ganancioso e não queria saber do trabalho. Quando tentou beijar uma menina à força, José o impediu – e a briga foi tamanha que Marcos saiu de casa sem se despedir. Ao longo dos anos, Marcos voltou algumas vezes, mas apenas para roubar as poucas economias dos pais. Quando José o pegou em flagrante, deu-lhe uma surra – e os dois nunca mais se falaram. Marcos foi morar na cidade grande, casou com uma moça rica e nunca mais voltou ao sítio. José comprou um pedaço de terra e seguiu como agricultor. O tempo passou: o pais envelheceram, adoeceram, José vendeu o sítio para custear o tratamento, não bastou, e eles morreram. Marcos não apareceu, não ligou, não escreveu. José virou caseiro de uma chácara, onde construiu um campinho de futebol e uma piscina. A casa se tornou ponto obrigatório das crianças em férias na região, onde a bondade de José se tornou notória. E, em um domingo ensolarado, algo extraordinário aconteceu: um carro importado, desconhecido, parou na chácara, com um casal e crianças que foram correndo para a piscina. José os recebeu com suco. O homem, falante, puxou assunto. Depois de uma longa conversa, todos ficaram estarrecidos. Aquele estranho era Marcos, que voltara, 30 anos depois, para pedir perdão a José. E eu, filho do Marcos, na época com 8 anos, assisti ao reencontro deles, que foi o mais marcante da minha vida. Vi meu tio José dizer: "Eu não posso perdoá-lo agora, porque já te perdoei há muito tempo. Minha raiva por você nunca durou mais do que cinco minutos". Nunca esqueci essa história. Inclusive acompanhei a união que se seguiu: os dois reconstruíram o sítio, montaram juntos uma escola e museu rural. Foram amigos até a morte os levar. E a lembrança dessa história permanece forte na família.
Luiz Menezes de Godoy, 46 anos, Avaré (SP)
Fazia quase dois anos que não via meu namorado, eu aqui no Brasil, ele na Inglaterra. Nessa época, trabalhava como hostess em um restaurante de São Paulo e, certo dia, chegou o irmão do namorado distante com a esposa e o filho. Fiquei super feliz em vê-los! E eles trouxeram um presente: meu namorado, que entrou pela porta. Quase desmaiei – estava tão acostumada a nunca tê-lo perto que demorou um tempão até a ficha cair! Até hoje, depois de termos casado e tido uma filha, considero esse momento um dos mais felizes da minha vida.
Sabrina Mendonça, 32 anos, São José do Rio Preto (SP)
Conheci o Rafael em 1994, no colégio. Viramos namoradinhos mas, com o tempo, nos afastamos. O Rafael se mudou para Curitiba e eu fui para São Paulo. Quis o destino que nos reencontrássemos em nossa cidade natal, Belo Horizonte, em uma farmácia perto da casa dos nossos pais. Nessa noite, em setembro de 2009, nos cumprimentamos de longe. Resolvi escrever para o mesmo e-mail da época do colégio, disse que tinha ficado feliz em revê-lo. Começamos a trocar mensagens até que, um dia, ele veio para São Paulo. Foi quando nos encontramos e não nos separamos mais. Outra vez, o destino foi generoso conosco: com quatro meses de namoro, o Rafael foi transferido para São Paulo e agora completamos um ano de casados. O reencontro naquele sábado de setembro foi o responsável por nos unir – e agora, para sempre!
Daniela Araujo Andrade, 28 anos, São Paulo
O reencontro mais marcante da minha vida aconteceu esse ano, no dia 14 de abril, depois de ter ficado sem ver o homem mais especial que já conheci.Tudo começou quando o conheci em janeiro, pela internet. O primeiro encontro foi em fevereiro e nos apaixonamos. Mas, antes mesmo do mês acabar, nos separamos por brigas bobas. Abril marcou nosso reencontro: entendi que precisava tê-lo de novo em meus braços. Hoje estamos namorando firme e não medirei esforços para mantê-lo sempre ao meu lado.
Letícia Lopes, 19 anos, São Paulo
Quando eu estava no ginásio eu tinha uma amiga chamada Lilian. No colegial, mudei para uma escola em São Paulo e perdemos o contato. Mas, quando fui fazer cursinho, entrei na sala e lá estava a Lilian. Na hora voltamos a conversar e retomamos a amizade, que fica cada vez mais forte. Esse reencontro foi há três anos e, mesmo depois do tempo sem se ver, a nossa amizade continua grande. Foi ela, inclusive, quem me apresentou meu namorado.
Deborah Scarone, 21 anos, Guarulhos (SP)
Quando eu tinha uns 10 anos, passava as tardes brincando e conversando com uma menina chamada Raquel Blum. Mas ela saiu de São Paulo na adolescência e nunca mais a vi, nem soube dela. Não é que, num dia desses, quase 35 anos depois, recebo um recado da Raquel pelo Facebook? Tomei um susto! E foi emocionante vê-la. Está linda, mora em outra cidade, tem dois filhos maravilhosos. Voltamos a conviver como se todo aquele intervalo de tempo não existisse. A tecnologia não é maravilhosa?
Maria Helena Sampaio, 49 anos, São Paulo (SP)
Quando entrei na 5a. série, em 1973, me senti deslocada. Mas não demorou muito para que eu encontrasse novos colegas, como o Hudson, um rapaz franzinho de cabelo crespo, meio fanfarrão. Nos tornamos amigos de toda hora e de toda bagunça. Com o passar dos anos e a chegada de outros colegas, o ciúme apareceu. Brigamos feio! Ele escreveu uma carta que ainda guardo com todo o carinho, mas, à época, mesmo tendo feito as pazes, restava uma nuvenzinha negra. Ele saiu da escola, o tempo passou e, quando surgiu o Orkut, fui procurá-lo. Para a minha alegria, recebi um depoimento maravilhoso. Reatamos a amizade, ele me visitou quando tive meu primeiro filho e esse abraço foi emocionante – fazia 30 anos que não nos víamos! Continuamos o contato até que, no dia de seu aniversário, entrei em sua página no Orkut para desejar os parabéns e tomei um susto: falavam como se ele não existisse. Liguei para os amigos em comum e descobri que o Hudson havia morrido. Que dor eu senti! Faltava tanto para conversarmos... Para mim ficou a certeza de que tivemos uma linda amizade. E nos reencontraremos novamente, só não sei quando.
Odete dos Santos, 52 anos, São Paulo (SP)
Quando era pequeno, meus pais eram bem amigos de um casal de sobrenome Lefevre. O cara era tão parecido com o ator Christopher Reeve que meu pai me dizia que ele era o Super-Homem – e eu, com toda a minha ingenuidade de criança, acreditava. Nos mudamos para o interior e perdemos contato. Voltei para São Paulo, anos depois, e, na faculdade, tinha uma colega chamada Suzana Lefevre. Bingo! Ela era filha do tal casal! Foi uma baita coincidência engraçada, mas preciso dizer: aquela semelhança era apenas uma ilusão. O cara não tinha nada a ver com o herói dos filmes!
Bernardo Borges, 28 anos, São Paulo (SP)
Fazia muito tempo que meu tio havia viajado para os Estados Unidos. Com a crise econômica do país, ele resolveu voltar para o Brasil, sua terra natal. Eu e minha família fomos ao aeroporto buscá-lo e é muito bom rever uma pessoa que você só encontrava pela tela do computador. Ficamos horas conversando sobre os dois países, como era a vida dele lá nos Estados Unidos... Decidimos um dia viajar juntos para ele me mostrar os pontos mais legais de Nova York, cidade em que viveu por 10 anos. O reencontro me ajudou a pensar em novos planos: quem sabe um dia eu vá morar lá ou mesmo passar uma temporada?
Luis Felipe Checchia, 20 anos, São Paulo
No fim do ano passado, sem planejamento nenhum, fui até Waiblingen, cidade alemã onde morei dos 11 aos 13 anos com meus pais. Pintaram umas folgas de fim de ano e meu pai precisava repassar suas milhas para que não vencessem. Então, depois de 13 anos, voltei ao meu antigo endereço. Reconheci o lugar na hora. Parei em frente ao prédio, fiquei olhando o apartamento onde vivi. A fachada era a mesma. E o parquinho ao lado, com seus brinquedos de madeira, também. Caí no choro com as lembranças – sempre sonhei em voltar, mas nunca achei que a ideia fosse se concretizar.
Ana Paula Megda, 26 anos, São Paulo (SP)
Quando eu era criança, tinha o costume de passar as férias na casa dos meus avós no interior do Paraná. Meu avô tinha uma chácara e eu era apaixonada por tudo: pelo meu avô, pela hora de tirar o leite da vaca, pelas brincadeiras com os bichinhos... Mas, quando cresci, acabei tendo outros interesses e deixei de ir pra lá. Meu avô morreu faz quase três anos, e, em 2010, fiquei sabendo que meu tio havia se mudado para a chácara. Levei meu marido para passear por lá e, ao chegarmos, senti que tudo aquilo era mesmo inesquecível. Mostrei a ele cada pedacinho do meu cenário preferido da infância – onde eu brincava, onde os bichinhos ficavam – e nem o frio ou a garoa fina me fizeram desistir de caminhar entre os pinheiros. Esse reencontro me fez reviver lembranças pelas quais tenho grande apreço. Foi lindo.
Milena Celli, 27 anos, Curitiba (PR)
Conheci Santiago de Compostela, na Espanha, quando tinha 23 anos. Estive na cidade acompanhando uma amiga, andando por suas ruas estreitas com pouco critério e muita pressa. Tirei poucas fotografias e comi umas tapas só para saciar a fome. E parti. Passaram-se 15 anos até que, no Natal de 2010, passei uma noite em Santiago de Compostela. Incrível como a releitura de um livro, ou de uma cidade, pode ser interessante. O reencontro me emocionou. Desta vez, na caminhada, vi que a catedral era maior, mais iluminada. As ruas não eram apenas estreitas, mas lindas. E as tapas, uma obra de arte a ser degustada: não apenas para matar a fome, e sim para reviver memórias.
Andreia Fuzinelli, 38 anos, São José do Rio Preto (SP)
Reencontrei um querido professor de matemática, uma matéria que eu sempre odiei, na formatura do meu melhor amigo. Ele disse, com um sorriso de orelha a orelha: "eu ainda lembro de ver você passando maquiagem enquanto eu passava matéria na lousa". Eu também caí na gargalhada. Neste dia havia terminado o meu namoro e eu estava meio pra baixo e esse reencontro valeu a noite!
Kamila Dias de Oliveira, 18 anos, Americana (SP)
“Vem, você consegue, vem! Eu disse que você iria conseguir!” Esse era o comando do terapeuta para que eu pudesse entrar em contato com uma pessoa que eu havia esquecido: minha criança interior. Há menos de um mês, fiz um curso de liderança pessoal que me possibilitou embarcar nessa difícil e desafiadora viagem que é voltar para casa, para dentro de si. Aprendi que o que realmente importa é não deixar que a chama dessa criança se apague, para que possamos continuar a olhar o mundo com brilho e ingenuidade. Desta forma, cada vez menos usaremos as máscaras de proteção, porque, sem medo de parecer ridículo, seremos nós mesmos, com defeitos e qualidades.
Victor Marcondes Ramos, 23 anos, São Paulo
Aos 15 anos tive um namorico de infância com uma garota chamada Fabiana. Marcávamos de comer goiaba na casa da minha avó só para eu vê-la um pouquinho, debaixo da goiabeira. Mas tive que me mudar de Aparecida do Taboado (no Mato Grosso do Sul) para Campinas, acabei casando, ela também casou e não nos vimos mais. Há sete anos, minha esposa faleceu e não realizei o sonho de ser pai. Um tempo depois disso, voltei para Aparecida e, uma noite, atravessando uma avenida, ouvi alguém gritando bem alto: Lindo! Era pra mim, e era a Fabiana, que desceu do carro com um sorriso lindo e me deu um abraço forte. Esse reencontro deu novamente direção para a minha vida. Hoje estamos casados e temos um filho lindo, de três anos.
Marco Antônio Pires, 40 anos, Campinas (SP)
Escrito às 17h49 do dia 01 de agosto de 2011

















































