Extras de matérias
Se essa rua fosse minha...

Cansados de reclamar entre si das más condições das calçadas e do curto tempo dos semáforos para a travessia das ruas em Lisboa, um grupo de idosos da capital portuguesa resolveu levar suas queixas à Câmara Municipal. A iniciativa rendeu resultado: em setembro do ano passado, uma equipe da prefeitura realizou uma pesquisa com 200 cidadãos com mais de 55 anos para saber quais os principais problemas de mobilidade na cidade.
Mais da metade dos participantes, por exemplo, relatou já ter caído nas calçadas. E 54% disse ter dificuldade para subir ou descer dos ônibus. Além de reclamar, eles também deram sugestões: como a necessidade de as calçadas serem deixadas em boas condições logo após a realização de reparos nas redes de gás e luz.
O levantamento foi reunido no relatório As Ruas Também São Nossas, publicado em março deste ano (clique aqui para acessar). Os problemas e sugestões apontados devem ser levados em conta na elaboração do Plano de Acessibilidade Pedonal de Lisboa, que deverá ser implantado até 2017.
E no Brasil?
Mostrar insatisfação é o primeiro passo para obter a mudança. O poder público só costuma se mobilizar para resolver um problema quando percebe que há uma quantidade significativa de pessoas incomodadas com a questão. "Política sem números é algo que não dá para dimensionar", explica a arquiteta Adriana Prado, coordenadora de políticas públicas do Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam) do Estado de São Paulo.
Adriana recomenda que os cidadãos mandem e-mails aos vereadores indicando problemas e sugestões para a questão da mobilidade urbana. Outra estratégia é reunir-se em grupos ou associações de bairro para discutir esses temas. "Quanto mais pessoas se unirem para realizar uma denúncia, mais visibilidade o grupo consegue, e mais fácil será conseguir resultados. Literalmente, a união faz a força", acrescenta a arquiteta.
E o momento é oportuno para acompanhar e pressionar o trabalho dos governantes. Em fevereiro deste ano, foi lançado pelo governo federal o chamado "PAC da Mobilidade", um pacote de 18 bilhões de reais para ser investido na melhoria da acessibilidade urbana. Esses recursos serão divididos entre as 24 maiores cidades brasileiras: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Campo Grande, Curitiba, Duque de Caxias, Fortaleza, Goiânia, Guarulhos, João Pessoa, Maceió, Manaus, Natal, Nova Iguaçu, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Bernardo do Campo, São Gonçalo, São Luís, São Paulo e Teresina. Se você mora em algum desses municípios, informe-se sobre as obras que serão realizadas e acompanhe sua execução!
Escrito às 12h48 do dia 17 de junho de 2011

















































