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Uma boa conversa nunca é demais!

Na seção Amar da Sorria 20, selecionamos as conversas mais difíceis que nossos leitores tiveram que enfrentar: a revelação de um segredo, de uma adoção, o fim de um casamento, o início de outro... Mas as histórias publicadas na revista foram apenas parte de todas que chegaram aqui à redação. Confira mais um punhado de relatos para refletir e se emocionar!
Um dia, no projeto em que trabalho como assistente social, chegou um homem com aparência de cansaço e com os dois olhos roxos. Conversando, descobri que ele usava drogas e morava na rua, em São Paulo. Perguntei se ele tinha vontade de voltar para a sua casa, em Marília, e ele me disse que não, porque estava com vergonha de seu estado. Então pedi o telefone da mãe dele e, quando liguei, a senhora me implorou pelo amor de Deus para levar o seu filho de volta. Contei tudo isso ao homem que, com lágrimas nos olhos, disse que voltaria para casa. Articulei uma vaga para ele passar a noite no Centro de Acolhida e, no dia seguinte, dei-lhe uma passagem. Quando entrei em contato com a família novamente, duas semanas depois, a mãe me contou que ele está trabalhando e muito feliz. Sempre que me lembro desse caso vejo que a conversa, por mais difícil que seja, se bem encaminhada, consegue mudar a vida do outro.
Lucinéia Souza, 28 anos, Taboão da Serra (SP)
Em 2006, eu passei por momentos difíceis. Estava infeliz no trabalho e em um relacionamento que se arrastava por sete anos. Tentamos muitas conversas, todas em vão. Para mudar tudo, tomei uma atitude radical: resolvi ir morar em outro país. Mas comunicar o novo plano ao homem que, até então, era o amor da minha vida, foi a conversa mais difícil de todas! O começo em Londres também foi complicado: não tinha emprego, dinheiro, amigos e o coração estava machucado. Sentia muita saudade. Mas aos poucos fui tomando consciência do ocorrido, até ficar pronta para conhecer a pessoa que hoje está comigo e que me faz muito feliz.
Andréia Fuzinelli, 38 anos, São José do Rio Preto (SP)
A conversa mais difícil que eu tive foi com os meus pais, para convencê-los a me deixar morar sozinha em outra cidade, para fazer faculdade. Em 2007, meu pai recebeu uma oferta de trabalho em Itatiba, e contra minha vontade mudamos para o interior. Após um ano, eu quis voltar para a capital. Passei alguns dias ensaiando, e consegui apoio da minha mãe. Depois foi a vez do meu pai. No começo ele foi um pouco resistente, mas cedeu, graças à ajuda da minha mãe. Hoje faz 3 anos que moro na Grande São Paulo e estou me dando muito bem. Sem essa conversa, minha vida seria totalmente diferente, morando no interior, com outras pessoas, fazendo outros planos.
Cintia Silva, 23 anos, Diadema (SP)
Passei um mês separado da minha namorada, e nesse tempo fui visitar uma amiga próxima, que é irmã de uma ex-namorada. Durante a visita, registramos o momento. Porém, no mesmo dia em que me reconciliei com minha namorada, ela viu a foto, e eu acabei mentindo sobre o local do clique, para não admitir que havia ido à casa da minha ex. As noites se tornaram insuportáveis, eu ficava pensando que ela descobriria e que a paz recém conquistada iria por água abaixo. Até que um dia não aguentei e falei de uma vez. Pedi que me perdoasse, que levasse em conta que foi porque havíamos voltado no mesmo dia. Depois de alguns dias ela acabou deixando pra lá. Foi a pior situação em que tive de admitir algo até hoje.
Felipe Faria, 22 anos, São Paulo
Uma conversa que me marcou bastante foi quando eu disse pela primeira vez "eu te amo". Não fazia muito tempo que eu havia começado a namorar e estava apaixonada, mas tinha medo de dizer e não ser correspondia. Fiquei meses com aquilo entalado na garganta querendo sair. Ele chegou a dizer que me amava e eu só respondia com sorrisos. Até que um dia terminamos e eu fiquei pensando: não posso acabar com ele sem antes dizer o que eu sinto. Liguei, mandei mensagem, tudo sem sucesso. No desespero, entrei no MSN, um bate papo virtual, e escrevi tudo que eu sentia. No final ele disse exatamente o que eu queria ouvir, e voltamos a namorar.
Rubia Marques, 19 anos, São Bernardo do Campo (SP)
Minha tia tem distúrbio bipolar. Ela mora sozinha e não tem ninguém que possa cuidar dela. Uma vez, ficou um tempo sem tomar os remédios, entrou em depressão e meu pai ficou arrasado, com medo que acontecesse algo. Apesar de sermos próximas, nunca falamos sobre a doença. Quando vi meu pai chateado, me senti na obrigação de falar com ela. Depois de tomar coragem e pensar nas coisas que tinha que falar pra não magoá-la, eu fui à casa dela para resolver a situação. Conversamos sobre o problema e pedi para que ela voltasse a tomar os medicamentos e se cuidasse. Todo meu esforço valeu a pena: ela retomou o tratamento.
Carolina Cleto, 20 anos, São Paulo
Por desavenças pessoais com meu pai, passei dois anos sem falar com ele. Minha avó pedia para que voltássemos a conversar, mas não adiantava. Ele se mostrava impassível com a situação e eu tinha muita raiva. Um dia, refletindo, lembrei-me da morte do meu avô. Não queria que meus filhos não tivessem avô por minha culpa, então resolvi conversar com meu pai. Fui até a casa dele, engoli um pouco do orgulho e tomei as rédeas da situação. Falei tudo sem rodeios, que não concordava com algumas de suas atitudes mas que, apesar de qualquer coisa, ele era meu pai. Ele aceitou a proposta de esquecermos tudo e voltamos a nos falar.
Vinicius Santos, 23 anos, São Paulo
A conversa mais difícil que tive foi em rede nacional, numa entrevista coletiva quando anunciei a minha aposentadoria como jogador profissional de futebol. Foi uma decisão muito difícil porque jogar bola é uma das maiores paixões da minha vida. Levei alguns dias pensando e horas conversando com amigos e familiares. Sem o apoio de minha família, nunca teria conseguido. Foi um momento complicado encarar as câmeras justamente para dar essa notícia ruim. Na hora em que estava falando, minhas filhas apareceram de surpresa... Aí mesmo é que a emoção tomou conta!
Washington Cerqueira, 36 anos, Rio de Janeiro, ex-atacante do Fluminense e do São Paulo
Uma das conversas mais difíceis que tive foi em meu primeiro trabalho na área de Recursos Humanos. Havia uma funcionária da empresa com cabelo loiro e comprido que estava sempre oleoso – e ela lidava com o público. Fui a designada para conversar com ela sobre o problema. Preparei-me mentalmente estabelecendo regras para um assunto tão delicado como a aparência pessoal: não usar as palavras "sujo" nem "limpo", levar o aviso em forma de bate-papo e me valer de indiretas. Na hora H, procurei mostrar os pontos positivos dela ao mesmo tempo em que citava dicas para manter-se apresentável. Disse que seu cabelo chamava muito a atenção e que devia cuidar muito bem dele. No fim, ela ficou aliviada por não ser algo relativo a seu desempenho – e eu, por ter conseguido cumprir a missão. Desde então, ela passou a vir com o cabelo limpo e eu aprendi que é melhor falar em vez de omitir, por mais que a conversa seja difícil.
Carolina Franco, 27 anos, São Paulo
A conversa mais difícil que tive foi quando decidi colocar um ponto final em um relacionamento de muitos anos. Era um daqueles amores de adolescente, mal-resolvido, uma ilusão que eu arrastava, alimentando esperanças, sem ter nada de concreto em troca. Sofri muito, fiquei emocional e fisicamente debilitada por anos até que, um dia, como se uma luz acendesse, eu disse que não o queria mais em minha vida. Entendi tudo aquilo como algo que me fez aprender, mas de que eu não precisava mais. Depois dessa conversa, distanciei-me dele. Hoje estou ótima e sinto-me renovada em um novo relacionamento.
Fernanda Gouvêa, 22 anos, Urupês (SP)
Desde pequeno me deliciava com a comida de meus avós e da minha mãe. Eu gostava de experimentar tudo e tinha curiosidade para aprender a elaborar aqueles pratos. Mas esse desejo era um segredo. Passei no vestibular para ciências da computação e fui morar em Rio Claro, no interior de São Paulo. Logo vi que o curso não combinava comigo, mas não tinha coragem de falar a meus pais que queria largar tudo para estudar gastronomia. Depois de dois anos e meio, incentivado pela minha namorada, conversei com eles e vi que meu medo era uma besteira. No papel de pais, questionaram minha decisão, mas me apoiaram. A mudança de curso significou várias outras mudanças em minha vida. Voltei a morar com eles e estou seguindo meu sonho.
Luano Tanaka, 23 anos, São Paulo
Estava de casamento marcado, e decidi que o Felipe, na época o meu melhor amigo, deveria fazer parte desse momento. Mandei o convite por e-mail, porque morávamos em cidades diferentes e, por conta disso, havíamos perdido um pouco de contato. Faltando apenas cinco meses para o grande evento acontecer, Felipe me telefonou se declarando. A princípio não soube o que fazer. Ele continuou me ligando nos dias subsequentes até que, depois de uma longa conversa, decidi terminar meu quase casamento e dar uma chance ao meu amigo de infância. Nos reencontramos, engatamos um namoro à distância e está dando super certo! Eu moro em Porto Feliz, em São Paulo, e ele em minha cidade natal, Rosana, no extremo oeste do estado. Estamos juntos há um ano e nos vemos apenas uma vez ao mês, mas fazemos de tudo - desde envio de flores e cartas - para manter o encanto que nos uniu.
Juliana Belcir da Silva, 24 anos, Porto Feliz (SP)
Escrito às 19h34 do dia 03 de junho de 2011

















































