Extras de matérias
Uma filha especial

Você já leu a matéria "Inclua-se você", da seção Conviver da Sorria 14? Nela, decidimos falar de um tema sempre muito bem-vindo – a inclusão social de deficientes. Mas optamos por um ponto de vista um pouco diferente do usual: em vez de entrevistarmos apenas os portadores de deficiência, falamos com as pessoas que convivem diariamente com eles. Assim, quisemos mostrar que a inclusão depende de cada um de nós. Os deficientes só estarão plenamente integrados à sociedade quando modificarmos nossa rotina para que eles possam fazer parte dela. Na revista, exemplificamos essa tese por meio de cinco histórias. Aqui vai mais uma. Confira!
Dar à luz é sempre um momento transformador. No caso da bancária Silmara de Abreu, de 36 anos, de São Paulo, a chegada ao mundo se sua segunda filha, Lyvia, hoje com 6 anos, teve uma característica especial. O parto revelou algo que nenhum exame pré-natal havia indicado: a menina tinha síndrome de Down.
Sem ter nenhuma informação sobre o assunto, a mãe foi orientada a procurar a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Lá, pôde conhecer e se aproximar de mulheres em situação parecida com a dela e descobriu que as suas inseguranças não eram exclusivas. “Você vai desmistificando. Tinha medo de como iria cuidar da minha filha, não sabia se ela precisaria de algum tratamento especial. Mas aí você vai descobrindo que é uma criança como todas as outras, só precisa de alguns acompanhamentos médicos a mais”, conta.
Lyvia está sendo alfabetizada em uma escola regular, com acompanhamento de uma fonoaudióloga e de uma psicopedagoga. Na sua rotina de criança, ainda cabem a natação e o balé. Para poder levar a filha em todas as atividades, Silmara adapta seus horários. “Marco a terapia para bem cedinho e a levo antes do trabalho. A fonoaudióloga eu deixo para o sábado”, conta. “Os horários ficam apertados, mas isso acontece como em qualquer outra família. No início eu tinha muita vontade de largar o emprego e me dedicar somente à Lyvia, mas hoje eu acho que foi ótimo que não o fiz. Se ela ficasse só comigo, estaria privando a minha filha do contato com outras pessoas, que é algo que ajuda muito no desenvolvimento dela”, diz.
As adaptações feitas em casa também foram mais simples do que ela havia imaginado. “Deixei o berço dela com grades por mais tempo do que havia feito com minha primeira filha, por exemplo. E como ela tinha um problema no coração, pensávamos melhor nos passeios que poderíamos fazer nas férias. É só um pouco mais de cuidado, mas não posso dizer que foi trabalhoso”, diz.
Silmara participa de um grupo on-line chamado Happy Down, em que troca experiências sobre a doença com outras mães. Além disso, faz parte do projeto Momento da Notícia, que dá apoio às famílias que chegam à Apae assim como ela, com o coração aflito e a cabeça cheia de dúvidas. ”Eu nunca tinha feito nenhum trabalho voluntário assim. Quando a Lyvia nasceu, despertou em mim essa vontade de estar próxima às outras pessoas e de ajudá-las”, diz Silmara. “Essa maternidade expandiu meu olhar sobre o mundo. Eu pude conhecer outro lado, descobri coisas que não imaginava. Me ensinou a ser muito mais paciente, esperar o tempo das coisas. Cada pequena vitória da minha filha é um motivo de grande comemoração”.
Escrito às 18h29 do dia 07 de julho de 2010


















































