Droga Raia

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BLOG DA REDAÇÃO

Texto: Da redação
COP-15: Mudar contra a mudança

A Terra está mais quente, calotas polares derretem, as estações do ano se confundem e populações praianas correm o risco de desaparecer. É neste cenário assustador que nos encontramos e já está na hora de fazer alguma coisa. Por isso, 192 membros da ONU vão aterrissar na Dinamarca este mês. Entre 7 e 18 de dezembro acontece em Copenhagen a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima, o COP-15.

O principal objetivo do evento é reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa. Mas, além de debates sobre metas de carbono, a COP-15 vai tratar de fontes de energia e da transferência de tecnologia de países mais industrializados para os que estão em desenvolvimento. Tudo para que as nações menos desenvolvidas consigam sobreviver e se adaptar às mudanças climáticas.

Os países já estão se preparando para o debate e apresentam metas voluntárias. Brasil se compromete a reduzir a emissão de gases entre 36,1% e 38,9% até 2020. Já a China quer diminuir entre 40% e 50%. A expectativa é que os Estados Unidos abaixem em 20% suas emissões. Vale lembrar que estes dois países juntos produzem 12 bilhões de toneladas de CO2 por ano!

Para saber mais:
Podcast da rádio ONU sobre a COP-15


Escrito às 16h58 do dia 02 de dezembro de 2009

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Texto: Da redação
O futuro do lixo

Hoje, 26 de novembro, acontece o debate sobre Lixo Eletrônico na arena do Matilha Cultural, em São Paulo. O evento vai ser transmitido online e, para assistir, basta se cadastrar no site. Além da conversa, o espaço traz também uma instalação feita com lixo pelo artista Glauco Paiva. Tudo isso faz parte do IV Congresso Online da CiberSociedade e visa incitar o debate sobre sustentabilidade.

Grátis, 17h, no Matilha Cultural: Rua Rego Freitas, 542 – São Paulo.

Para saber mais, acesse:
http://twitter.com/lixoeletrônico
http://lixoeletronico.org


Escrito às 17h15 do dia 26 de novembro de 2009

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Texto: Da redação
Mudança jovem

Domingo, 8 de novembro, em São Paulo, acontece o Festival da Juventude, evento que visa mostrar a importância do jovem e celebrar seu poder de transformação social. Veja a programação completa.

Tem dança, música, vídeo e grafite, além de atividades esportivas, workshops e mesas redondas. É uma oportunidade de discutir temas relevantes para a juventude brasileira e pensar uma transformação social - como participação cidadã e política, educação transformadora e articulação em redes.

Em parceria com a MTV, o Festival ainda conta com duas sessões do Universo Jovem, documentário que aborda o tema da sustentabilidade, e um Debate MTV Especial com o tema “Paz ou violência: Qual é a escolha da juventude?”.

Quem também estará presente são os participantes do programa Geração MudaMundo (GMM), da organização de estímulo ao empreendedorismo social Ashoka. Eles vão apresentar os resultados dos empreendimentos socioeconômicos, artísticos e culturais que desenvolveram durante o ano.

O encontro acontece na Casa das Caldeiras (Av. Francisco Matarazzo, 2000 - São Paulo). É grátis, e vai das 14h às 20h.


Escrito às 17h34 do dia 04 de novembro de 2009

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Uma de minhas memórias mais antigas - e mais queridas - é estar na banheira, mergulhada em água morna. Devia ter uns 3 anos. Lembro de ver minha mão enrugada e perguntar ao meu avô: por que minha mão está igual a sua? Eu fiquei velha? Era também no ritual do banho que me reunia a meu objeto preferido no mundo: uma toalha com touca de orelhinhas. Saía da água direto para o abraço da toalha e da mãe. Sem fazer esforço, até hoje basta fechar os olhos para sentir de novo o conforto desse instante, o cheiro de sabonete e amaciante.

Desde então, banho para mim é remédio para qualquer mal. A receita é simples: ligo o chuveiro e deixo a água cair. Primeiro, vem a sensação das gotas molhando a cabeça, os ombros. as costas, os pés. Aos poucos, a água me permite sentir cada pedacinho do corpo: as superfícies, as rugas, os fios de cabelo, a maçã do rosto, o cotovelo. Partes esquecidas, das quais só lembro quando doem. Ao sentir melhor meu corpo. clareio também os pensamentos. Assim, de simples limpeza, o banho vira terapia e lazer. Sem hora nem regras. Se o sono não acalma, por exemplo, ligo o chuveiro em plena madrugada. Acho que a água quente dissolve dias difíceis mesmo em pleno verão. Já duchas frias me dão o súbito desejo de correr no parque. E uma banheira… Ah, uma banheira me faz ter 3 anos de novo.


Escrito às 15h41 do dia 03 de novembro de 2009

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Tem os de fundo de pedra lisa de limo, límpidos e escuros . Tem os de cor de café-com-leite, que, quando se pisa, a lama cremosa se mete entre os dedos, quase uma aflição. Tem os de fundo de areia, de pedrinhas, de plantas. A água pode ser gelada, vinda do mato, ou mais quente, se a correnteza é fraca. Tem os largos e traiçoeiros, e tem aqueles estreitos, onde dá pra juntar pedras em represas de mentirinha. Nenhum país tem tantos rios quanto o Brasil. Milhares, de todos os tipos. Muitos são poluídos, é verdade, mas, em algum lugar nem tão longe de você, existe um onde se pode mergulhar. Eles inspiraram histórias de Monteiro Lobato e Guimarães Rosa, poemas de Mário Quintana e Manuel Bandeira, músicas populares cheias da simbologia da água que passa e leva embora a dor. E como se não bastasse, banho de rio é uma delícia.


Escrito às 12h35 do dia 20 de outubro de 2009

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Texto: Da redação
Um instante qualquer

Quem nunca se flagrou observando um detalhe de um estranho? Quando usamos transporte coletivo, acontece com frequência. De repente, nosso olhar se perde na mão enrugada de uma senhora, no cenho franzido da mãe preocupada, no suor escorrendo pela testa do garoto, nos pés inquietos da menina, nas roupas que gostaríamos de ter, naquelas que jamais usaríamos… São reflexões fugazes: no vaivém do desembarque, desaparecem.

O ilustrador português António Jorge Gonçalves também tem essa mania. E resolveu registrar suas impressões em desenhos. Ele viajou por dez grandes cidades do mundo e desenhou pessoas que encontrou no metrô. São mais de 300 obras feitas entre uma estação e outra. O critério para escolher o personagem é simples: desenhar quem sentar a sua frente. E o resultado são imagens que mostram um momento breve na vida de alguém, um instante qualquer que não era especial até ser congelado. Clique aqui para conhecer o projeto.


Escrito às 14h32 do dia 14 de outubro de 2009

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Texto: Nina Weingrill // Foto: Richard Masoner

Estava navegando no meu Google Reader e dei de cara com uma notícia muito boa: o aumento no número de mulheres no pedal é sinal de que a cidade está ficando mais amigável às bicicletas. A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, e tem mesmo tudo a ver. As mulheres se arriscam menos do que os homens. Portanto, vão sair com suas bicicletinhas somente quando a cidade tiver estrutura. E são as mulheres que fazem a maior parte dos serviços domésticos, buscam e levam os filhos na escola, fazem as compras. O que quer dizer que as rotas de bicicleta têm de ficar mais funcionais pra que mamães e donas de casa saiam por aí pedalando. Clique aqui para ver o texto original, em inglês.

Fiquei pensando aqui na Editora MOL, onde há uma fúria da mulherada em dominar a causa da bicicleta. E pensei em mim. Aprendi a pedalar sozinha. Era uma Caloi rosa. Tirei as rodinhas de apoio e me esborrachei no chão. Levantei, caí de novo. Levantei de novo e dessa vez para não cair mais. A sensação foi incrível. E não estou falando do vento na cara, da velocidade. Estou falando da primeira vez em que soube que estava fazendo algo sozinha, e que o mérito era todo meu. Quanta audácia. Até hoje encho a boca pra falar que aprendi a andar de bicicleta sozinha, e sem plateia, ali, numa tarde quente, na garagem de casa. Meu irmão não teve a mesma sorte. Ficou nas rodinhas de apoio até bem mais velho, porque talvez tivesse medo dos tombos, vai saber.

Aí, dia desses, essa mulherada insana com quem eu trabalho resolveu fomentar o caos na editora, convidando todo mundo a andar de bicicleta no Dia Mundial Sem Carro. Eu, que sou do interior e nunca tinha pedalado por essas bandas sem que fosse num dia calmo de final de semana – e dentro do parque do Ibirapuera –, aderi. Opa, se aprendi a andar sozinha, dar uma voltinha por São Paulo seria baba. Confesso que foi pisar no pedal para ficar com medo do trânsito maluco do qual fazia parte. Mas fingi que não era comigo e fui.

Se observei bem, havia muitas mulheres no pedaço, além de nós da MOL. Todas destemidas, independentes. Algumas fofocavam, conversavam, cantavam. Um ânimo de dar gosto. E, então, na hora de ir embora, comboios foram se formando e percebi que o meu tinha só uma pessoa: eu mesma. A constatação veio junto com com caras de: “Tem certeza que vai pra casa sozinha? São onze da noite. A gente te acompanha”.
- Pô gente, não é por mal não, muito obrigada pela preocupação, mas eu chego numa boa em casa. É só descer aqui ó. E fui. Esperando – e obrigando – São Paulo a ficar mais amiga das bicicletas. E, principalmente, das bicicletas das mulheres.


Escrito às 14h05 do dia 08 de outubro de 2009

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Texto: Jeanne Callegari
Ativista sobre duas rodas

Renata Falzoni é uma das pessoas que mais lutou pelo reconhecimento da bicicleta como meio de transporte no Brasil. Ciclista desde criança, cicloativista desde os vinte e poucos anos, em 1988 ela foi a fundadora dos Night Bikers, o primeiro clube de ciclistas que se reunia para pedalar à noite, durante a semana, na capital paulista. Como jornalista, sempre procurou retratar as dificuldades dos ciclistas, sem medo de enfrentar e denunciar políticos que prometem muito e não fazem nada. Hoje, aos 56 anos, continua acreditando no potencial transformador da bicicleta, que, além de saúde e uma relação nova com a cidade, pode trazer também mais inclusão social e mais consciência ecológica. Conversamos com ela por telefone, em um dos intervalos da viagem que está fazendo pela cicloestrada Via Claudia Augusta, na Itália – de bicicleta, claro.

Como começou sua relação com a bicicleta?

Como toda criança, comecei a pedalar cedo, aos 5 anos. Foi meu principal brinquedo até os 16. Desde aquela época, já gostava de mexer na mecânica da bike. Logo depois, entrei na faculdade, ganhei um carro. Como todo mundo, tive o sonho do automóvel… Mas logo percebi que não era solução para mobilidade, e com 22 anos dei o meu para o meu irmão. Aí aprendi a andar de bicicleta na cidade, a não depender do carro. De lá pra cá, a bicicleta foi se tornando um símbolo de um modo de vida para mim. Só fui ter carro de novo quando minha filha nasceu, em 1981.

Como foi que a bicicleta se tornou um modo de vida pra você?

Fui vendo que a relação da bicicleta com a cidade é diferente. A gente sente na pele a energia que é preciso para se mover, é um veículo movido pelo próprio corpo. É a energia renovável do próprio organismo, a um custo que só o corpo pode medir. Por causa disso, o ciclista interpreta a cidade de modo diferente. É provável que ele não deixe a torneira aberta ou desperdice papel, porque ele sabe o que é o desperdício. Ele interpreta a ladeira de forma diferente, ele sabe de que forma está sendo gasta a energia. Ao passo que no carro, você apenas gasta dinheiro e acelera, e aí você só sabe se foi rápido ou lento. Então, o ciclista aos poucos vai mudando, ficando mais consciente. Quando comecei a pedalar, era para não ficar parada nos engarrafamentos. Depois, virou uma atitude frente ao trânsito, e finalmente uma atitude frente ao mundo.

Em 1988, você fundou os Night Bikers. Qual era a proposta do grupo?


O primeiro objetivo era organizar os passeios que já aconteciam, mas de forma caótica, pela cidade. Eu chegava da balada e ficava pedalando a noite toda, gostava disso. Mas o conceito principal era pegar o pessoal que anda de carro e não tem a noção de como é a ótica de quem pedala, e colocar esse pessoal para pedalar, para eles aprenderem a ter essa visão. O primeiro benefício disso foi os motoristas passarem a sentir na pele os problemas, e aprenderem a dividir as ruas. O cara que dirige de dia é o mesmo que pedala de noite. Com essa visão, ele respeita os ciclistas, e os acidentes diminuem muito: hoje, é muito mais seguro pedalar em São Paulo por causa do Night Bikers. Quando surgiu, O Night Bikers era um clube mesmo, com camiseta, eventos organizados. Hoje, funciona de modo mais informal, tem os passeios, mas ninguém paga para pedalar junto, é mais uma coisa de diversão. E fez escola: hoje, há pelo menos 14 clubes no mesmo molde funcionando na cidade de São Paulo.

Como você passou do ciclismo ao cicloativismo?


O cicloativismo é um caldo que foi engrossando. Foi mais ou menos em 1985 que começou a cair a ficha da bike como meio de transporte, da importância disso para a sustentabilidade. Mas, nos anos 80, eu evitava falar em bicicleta como meio de transporte. Só comecei a falar disso quando já tinha um entendimento do assunto, quando a classe média já tinha vontade de ter a bicicleta como objeto de desejo, um bem de consumo. Aí comecei a pegar forte nesse ponto.

Você também fala da bicicleta como inclusão social…

As cidades brasileiras refletem a grande exclusão social do país. O centro tem tudo e a periferia não tem nada, e os trabalhadores convergem para o centro para trabalhar, pois onde moram não tem emprego nem serviços. E a maioria do espaço no centro está ocupado por uma elite. Os poucos que têm carro entopem a via. Então a bicicleta é uma solução para ter transporte inidividual, que garante ao cidadão o direito de ir e vir. É o único meio auto-sustentável, e exige uma estrutura mínima: em São Paulo, por exemplo, bastaria sinalizar as ruas. Em Mauá, você tem, por exemplo, o bicicletário da Ascobike. Cada bicicleta pendurada lá significa cerca de R$ 100 a mais no bolso do trabalhador por mês. Esse dinheiro, ele gasta em comida e educação para os filhos. Foram feitas pesquisas com esses trabalhadores, e eles dizem que com o troco que economizam eles colocam comida em casa. Além disso, tem a questão da saúde: fazendo mais exercício, ele fica mais saudável e pesa menos na saúde pública. Com a bicicleta, você ataca vários problemas de uma vez só. Enquanto que, com o carro, você faz o contrário. Tem o custo social da poluição, da piora da qualidade de vida. A bicicleta é um instrumento de inclusão social. Com ela, você garante o direito de ir e vir. Para, por exemplo, procurar emprego – como o cara vai procurar trabalho, se não tem como pagar o transporte?

E como você avalia a situação atual do transporte via bicicleta?


O tema é antigo e pertinente. Hoje, vejo que aumentou a pressão. A mídia caiu na real, está comparando com Nova York, Paris. Em São Paulo, temos a ciclofaixa de lazer, aos domingos. Legal, mas não é uma política, não é um planejamento cicloviário. Estão fazendo espuma, apenas. Isso é um incentivo à bicicleta como lazer. Mas ela também é esporte, meio de transporte. No quesito lazer, OK, parabéns. Mas no quesito transporte, cadê? A prefeitura promete mais ciclofaixas. Como escrevi no meu blog, o problema é colocar tanto dinheiro em um projeto desses. Se tivéssemos uma CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) efetiva, não precisaria. Em São Paulo, o motorista é induzido a desrespeitar o pedestre e o ciclista, porque não pode atrapalhar a fluidez. Os carros não param na faixa, e os fiscais do trânsito não querem que eles parem mesmo – para não causar lentidão no tráfego.


Renata pedalando pela Coréia do Sul


Escrito às 15h03 do dia 07 de outubro de 2009

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Texto: Jeanne Callegari

Mauá é uma cidade do ABC paulista. A menos de uma hora da capital, sofre os mesmos problemas de outros municípios da região, como trânsito e poluição. Também não é particularmente conhecida por ser amigável às bicicletas, já que a estrutura cicloviária, como em muitos locais do Brasil, é inexistente.

Mas foi em Mauá que surgiu uma das iniciativas mais interessantes de apoio aos ciclistas urbanos do Brasil: a Ascobike, que fica ao lado de uma estação de trem. Com espaço para cerca de 1700 magrelas, é o maior bicicletário da América Latina. Mas o Ascobike é mais que isso. É também uma associação de ciclistas, que, mediante uma mensalidade, podem contar com assistência técnica e legal, chuveiro, eventos especiais e educação para o trânsito. O espaço funciona 24 horas por dia. Faça chuva ou faça sol, as bicicletas não param de chegar. Para quem não é associado, basta pagar R$ 1 para guardar a bike.

A Ascobike é um projeto simples que resolveu a vida de milhares de pessoas que usam a bicicleta para chegar ao trabalho. Com essa estrutura, fica fácil deixar o carro ou moto em casa ou mesmo economizar uns trocados do ônibus. Prova de que, para fazer a diferença, basta um pouco de boa vontade.

O pessoal do StreetFilms, que faz parte do Livable Streets, um movimento para tornar as cidades mais “vivíveis”, fez um vídeo sobre a Ascobike, contando o quanto o projeto é legal. Confira abaixo:


Escrito às 16h23 do dia 01 de outubro de 2009

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Texto: Jeanne Callegari // Foto: Brian Auer

No dia 22 de setembro, participei de atividades do Dia Mundial Sem Carro pela segunda vez. Na primeira, no ano passado, redescobri o prazer de pedalar, o que não fazia desde criança. É uma história bonita, que mudou minha vida e minha relação com a cidade. Até esse dia, eu nunca tinha parado para pensar: por que um Dia Mundial Sem Carro?

Não é que os carros sejam a encarnação do diabo. Mas eles simbolizam os efeitos de alguns caminhos tomados pelas grandes cidades que não são necessariamente positivos, como a poluição, o isolamento, a falta de contato com a rua, o sedentarismo, o amor pela pressa e pela velocidade… Claro que carros são úteis e necessários em muitos casos. O que se questiona é o excesso. O automóvel deveria ser apenas mais uma opção de locomoção, mas acabamos ficando dependentes dele. Em São Paulo, por exemplo, somados às motos, eles transportam 49% das pessoas; mas ocupam 88% do espaço nas vias, segundo o consultor em transportes Horácio Figueira (leia mais aqui). O ideal é que existam alternativas, e que essas alternativas tenham espaço e condições ideais para funcionar.

Trens, metrôs, ônibus, bicicletas, patins, caronas, caminhadas… Opções existem. Claro que nem todas estão disponíveis para todo mundo. Quem mora no interior pode não ter acesso a metrô; em compensação, as distâncias são menores, e dá para encarar uma caminhada. Moradores das capitais podem ter sistema de ônibus ruim; mas ei, que tal pegar a bicicleta e pedalar? A vantagem da bicicleta e de caminhar é que não é preciso esperar o poder público agir; é só sair por aí, feliz, curtindo a cidade. Existem várias formas de andar pelo seu bairro, de visitar os pontos turísticos de um lugar, de ir na padaria, ao cinema, encontrar os amigos. Quando se fala de mobilidade, todos somos um pouco parte do problema. O legal é que podemos ser, também, parte da solução.


Escrito às 16h33 do dia 30 de setembro de 2009

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