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De desgaste a lazer

Texto: Chico Spagnolo
De desgaste a lazer
Mesmo debaixo de chuva, Natália vai ao trabalho de bicicleta. Foto: Arquivo pessoal
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Quarta-feira passada foi o Dia Mundial Sem Carro – data em que as pessoas são estimuladas a, pelo menos por um dia, usar meios de transporte que causem menos poluição e engarrafamentos. Muita gente, porém, já adotou essa mudança no seu dia a dia. Conheça uma dessas histórias.

"Hoje, a minha locomoção virou lazer", declara a jornalista Natália Garcia, de 26 anos. Mas nem sempre foi assim. Até 2008, Natália passava, em média, quatro horas diárias no trânsito de São Paulo. O trajeto completo tinha pelo menos 15 quilômetros: começava no bairro de Moema, onde fica a casa dela, parava na faculdade, na Avenida Paulista, depois ia até o trabalho, no bairro Alto de Pinheiros e, finalmente, terminava na volta para casa.

Esse desgaste, somado aos gastos que ela tinha com o combustível e algumas multas, fez com que Natália começasse a imaginar uma alternativa para se locomover na cidade. Decidiu comprar uma bicicleta dobrável, novidade no país naquela época. Nem os 10 quilos da bike, nem o fato de fazer todo o trajeto sozinha desanimaram Natália. "Eu comecei a descobrir os miolos dos bairros. Parava em feiras para comer pastel e tomar caldo-de-cana, coisas que não dava pra fazer quando eu dirigia", conta.

A satisfação foi tamanha que logo Natália passou de ciclista para cicloativista, defendendo a bicicleta como meio de transporte. "Aprendi muito andando e estudando sobre mobilidade urbana. Por exemplo, eu achava seguro pedalar na contramão, porque eu estava vendo os carros. Mas vi que a chance de você colidir com algum pedestre é muito maior", afirma.

Hoje, sem precisar mais passar pela faculdade, Natália faz seu trajeto diário de casa para o trabalho (cerca de 6 quilômetros) em 40 minutos. "Menos quando a noite está bonita para pedalar. Aí eu gosto de demorar um pouco mais", diz.

Se você se sentiu inspirado pela história de Natália, mas não se sente seguro para adotar a bicicleta como meio de transporte, procure por grupos de ciclistas em sua cidade. Eles podem te ajudar a bolar os melhores trajetos e até te acompanhar nas primeiras viagens. Em São Paulo, você pode encontrá-los nos sites www.escoladebicicleta.com.br e www.cab.com.br. Se você está em outro estado, a dica é entrar na lista de discussão por e-mail da Bicicletada no site www.bicicletada.org.


Escrito às 16h16 do dia 24 de setembro de 2010

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