Droga Raia

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Era uma casa muito engraçada…

Texto: Talita Xavier // Foto: Ajpierro
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“Quando tinha 5 anos, morava em um condomínio militar no Cambuci, bairro de São Paulo. Não gostava de bonecas: jogava com os meninos, escorregava no corremão e empinava sacolas de mercado. Até que minha família decidiu se mudar. Fomos para Altamira, no Pará. Como a viagem durava cerca de uma semana, aprendi a inventar meus próprios jogos. Brincava na lama do atolamento, contava placas e passarinhos, cantava e via quem conseguia completar a música.

Chegando lá, meu pai se apresentou ao 51 BIS (Batalhão de Infantaria de Selva). Era tudo muito novo e diferente do que tinha visto ou imaginado. Não tinha vizinhos ou primos para jogar comigo e poucos brinquedos foram na mudança. Lia uns livros e criava minha diversão. O jardim era lugar de caça ao tesouro, com palitos e massinha fazia um jogo de dardos e com almofadas e uma rede estava pronta para o volêi. Duas vezes por semana, quando desligavam o gerador da cidade, faltava luz. Com algumas velas e um lampião, aprendi a criar animais de sombra e fazia a família adivinhar que bicho era aquele projetado na parede. Descobri que diversão é a gente que cria – senão, inventa uma desculpa para ficar amuado.”


Escrito às 10h32 do dia 27 de junho de 2009

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