Geral
Flor de família

No começo de 1960, Manoel chegou em casa com um antúrio plantado em uma lata de tinta. Deu a flor de presente para sua esposa, Benedita. Assim começou um jardim em latas, potes, panelas e, até, vasos de cerâmica. É o pequeno santuário da minha avó, no Jardim Danfer, Zona Leste de São Paulo. Entre ruas descuidadas, muros pichados e puxadinhos, um quintal se destaca numa esquina alta.
Os chuchus tentam fugir, escalam o muro e se penduram no portão. As flores do manjericão chamam as abelhas, as folhas inspiram um molho pesto. Brincos-de-princesa escorrem do vaso pendurado na parede e chamam atenção no meio das samambaias. Para curar doenças, boldo, poejo, erva-doce e cidreira. E, se o visitante for curioso e andar até o fundo, encontra couves mineiras, da mesma cidade que Dona Benedita.
Vó Dita acabou de completar 77 anos e todos os dias cuida de seu jardim. Manoel morreu em 1978. O antúrio continua lá, e suas mudas já renderam outros vasos. Somos em quinze netos e três bisnetos. Não conhecemos o vô, só a flor vermelha e um retrato na sala.
Escrito às 12h11 do dia 31 de julho de 2009

















































