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Mulheres, bikes e estatísticas

Texto: Nina Weingrill // Foto: Richard Masoner
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Estava navegando no meu Google Reader e dei de cara com uma notícia muito boa: o aumento no número de mulheres no pedal é sinal de que a cidade está ficando mais amigável às bicicletas. A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, e tem mesmo tudo a ver. As mulheres se arriscam menos do que os homens. Portanto, vão sair com suas bicicletinhas somente quando a cidade tiver estrutura. E são as mulheres que fazem a maior parte dos serviços domésticos, buscam e levam os filhos na escola, fazem as compras. O que quer dizer que as rotas de bicicleta têm de ficar mais funcionais pra que mamães e donas de casa saiam por aí pedalando. Clique aqui para ver o texto original, em inglês.

Fiquei pensando aqui na Editora MOL, onde há uma fúria da mulherada em dominar a causa da bicicleta. E pensei em mim. Aprendi a pedalar sozinha. Era uma Caloi rosa. Tirei as rodinhas de apoio e me esborrachei no chão. Levantei, caí de novo. Levantei de novo e dessa vez para não cair mais. A sensação foi incrível. E não estou falando do vento na cara, da velocidade. Estou falando da primeira vez em que soube que estava fazendo algo sozinha, e que o mérito era todo meu. Quanta audácia. Até hoje encho a boca pra falar que aprendi a andar de bicicleta sozinha, e sem plateia, ali, numa tarde quente, na garagem de casa. Meu irmão não teve a mesma sorte. Ficou nas rodinhas de apoio até bem mais velho, porque talvez tivesse medo dos tombos, vai saber.

Aí, dia desses, essa mulherada insana com quem eu trabalho resolveu fomentar o caos na editora, convidando todo mundo a andar de bicicleta no Dia Mundial Sem Carro. Eu, que sou do interior e nunca tinha pedalado por essas bandas sem que fosse num dia calmo de final de semana – e dentro do parque do Ibirapuera –, aderi. Opa, se aprendi a andar sozinha, dar uma voltinha por São Paulo seria baba. Confesso que foi pisar no pedal para ficar com medo do trânsito maluco do qual fazia parte. Mas fingi que não era comigo e fui.

Se observei bem, havia muitas mulheres no pedaço, além de nós da MOL. Todas destemidas, independentes. Algumas fofocavam, conversavam, cantavam. Um ânimo de dar gosto. E, então, na hora de ir embora, comboios foram se formando e percebi que o meu tinha só uma pessoa: eu mesma. A constatação veio junto com com caras de: “Tem certeza que vai pra casa sozinha? São onze da noite. A gente te acompanha”.
- Pô gente, não é por mal não, muito obrigada pela preocupação, mas eu chego numa boa em casa. É só descer aqui ó. E fui. Esperando – e obrigando – São Paulo a ficar mais amiga das bicicletas. E, principalmente, das bicicletas das mulheres.


Escrito às 14h05 do dia 08 de outubro de 2009

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Pois é… as mulheres são mesmo um indicador para mostrar se a cidade está bem adaptada às bicicletas ou não. Ainda mais as mamães citadas aí em cima, que fazem muito mais coisas do que ir de casa até o trabalho, apenas. Aqui vai um outro link, pra quem quiser ler, de um texto publicado no blog Transporte Ativo: http://blog.ta.org.br/2009/10/05/desejos-femininos/ , também sobre o tema. Lindo e inspirador teu texto, Nina! … e vamos lá, fazer logo essa revolução da mulherada no pedal! ps.: pra quem não conhece, este é o Pedalinas, grupo de pedal feminino aqui de São Paulo: http://pedalinas.wordpress.com/ e aqui, algumas fotos de uma das bicicletadas das meninas: http://laurabicicleta.multiply.com/photos/album/5/Pedalinas_outubro_de_2009 Um beijo, Nina!
Laura
Parabéns!! É disso que a cidade precisa!
Fourier
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