Geral
Sentindo o frio

Faz uns dois anos, estava esperando um ônibus na Avenida Paulista. Era inverno, com vento forte, e já passava das 22h. Uma senhora sentou ao meu lado, parecia uma dessas estrelas de cinema que envelhecem com estilo. Começou a conversar, me disse que vinha do Sul e que o frio de lá era diferente do de São Paulo. Na cidade dela chega a nevar, mas o ar gelado não incomoda tanto. O frio paulistano é molhado, gruda na pele e entra debaixo da roupa.
Passei a reparar no inverno e em suas sensações particulares. Percebi o vento úmido que atravessa a trama do tecido, racha os lábios e congela os dedos. Mas que não é desculpa para melancolia. O frio deixa a pele mais macia, os perfumes pairam mais tempo no ar, o abraços são mais quentes e a comida demora para saciar a fome. É no inverno que alguns prazeres duram mais.
Escrito às 15h46 do dia 06 de junho de 2009


















































