editorial
A arte da amizade

Meses atrás, eu e minha filha, a Gabriela, que tem 9 anos, estávamos no jardim em frente de casa. Uma menina passou pela calçada. Por alguns segundos, as duas trocaram um olhar cheio de curiosidade e timidez. A menina, que estava com a mãe, continuou seu caminho. A Gabi virou e disse: “Quero ser amiga dela, posso?”. E saiu pelo portão, chamando a garotinha para brincar. Dez minutos depois – mães devidamente apresentadas pelas crianças –, minha filha e a nova amiga brincavam como se fossem velhas companheiras. Desde então, encontram-se de vez em quando, passam as tardes juntas, mesmo sem ter muito mais em comum do que a infância. E isso basta.
A facilidade com que as crianças fazem amigos sempre me espanta. Não pela simplicidade com que conseguem – mas porque me fazem questionar quando foi que perdi essa capacidade de me abrir para as pessoas. Conforme cresci, eu me tornei mais dura – comigo mesma e com os outros. Julgo mais (e tenho medo de ser julgada), confio menos (e tenho medo de confiar), fiquei mais impaciente e um tantinho preguiçosa. Já há tantas pessoas com quem se ocupar – a família, os colegas de trabalho, os amigos antigos, os amores – que parece não ser necessário (além de muito difícil) criar novos vínculos.
Daí vejo quanto a Gabi se diverte com seus amigos de cinco minutos. Penso nos meus, alguns que já duram quase 20 anos de companheirismo, e no conforto que sinto com eles. E me dou conta de como são importantes na minha vida. Mesmo muito distintos – tem a turma da escola, a da faculdade, meus amigos de trabalho, os que encontrei por acaso –, cada um contribui, à sua maneira, para me tornar uma pessoa melhor, mais compreensiva, sensível e madura. São minha família, minha rede de segurança, minha consciência. O espaço mais livre e confortável da minha vida, em que não preciso ser nada além de mim mesma. Quando tudo dá errado, são eles que estão comigo. Quando tudo dá certo, também. Mas não é porque os tenho que não preciso de mais ninguém. É porque esses amigos são tão incríveis que devo cuidar deles – e me abrir para mais pessoas que também possam tocar minha vida dessa maneira, a melhor de todas. Família é uma, paixões são algumas. Mas amigos podem ser uma experiência ilimitada.
Espero que as histórias desta edição também inspirem você a cultivar os velhos amigos e a semear novos.
Sorria* é resultado de grandes amizades. Foi entre amigos que o projeto nasceu, e é em turma que realizamos a revista. Para nossa sorte, novos futuros amigos e velhos conhecidos queridos brincam em nosso jardim a cada edição.
P.S.: Se esta é a primeira vez que você compra Sorria*, vale a explicação: ela é uma revista social da Editora MOL. Descontados os impostos, 100% do valor que você paga por ela é doado ao Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), um dos maiores e melhores hospitais no país a tratar o câncer infantil.
O GRAACC fica em São Paulo, mas atende, gratuitamente, milhares de jovens pacientes do Brasil todo, realizando desde consultas até transplantes, além de atuar no ensino e na pesquisa. Ao oferecer um tratamento que preza a qualidade de vida, seus índices de cura são iguais aos dos hospitais de ponta dos Estados Unidos e da Europa. O GRAACC existe graças à parceria com a Universidade Federal de São Paulo, ao patrocínio de centenas de empresas e à colaboração de milhares de pessoas como você, que se associou a essa causa. Comprar Sorria* também é uma grande forma de ajudar.

















































