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A arte de fazer amigos

Larissa Ribeiro, de 25 anos, conseguiu seu primeiro emprego enquanto cursava arquitetura, em São Paulo. Sua tia, diretora de uma agência de publicidade, a convidou para trabalhar como assistente de arte. Diploma na mão, Larissa decidiu mudar de ares. Indicada por uma amiga, foi contratada por um escritório de arquitetura. Pouco tempo depois, teve certeza de que essa não era sua praia. Em uma semana, estava trabalhando para uma ex-professora, agora como designer. Parece que Larissa teve sorte, não é? Pode até ser, mas ela não conseguiria nada disso se não fosse boa na arte de cultivar contatos.
Prática social
Criar uma rede de relacionamentos – o tal networking – faz bem em todos os sentidos. Conhecer gente nova e manter esses vínculos nos alimenta de informações e pontos de vista, exercita nossa tolerância e criatividade e abre inúmeras oportunidades de desenvolvimento pessoal. Na carreira, os benefícios são evidentes. Ainda mais no atual mercado de trabalho, marcado pelo dinamismo. “Antigamente, as pessoas passavam a vida toda na mesma empresa. Hoje, a mobilidade é valorizada. É ela que possibilita a troca de conhecimento. E é com essa interação que as portas se abrem”, afirma Renata Di Rizo, consultora em recursos humanos.
Os números confirmam a tese: cerca de 70% das vagas são preenchidas por indicação de funcionários, segundo a consultoria de recursos humanos DBM. Diversos estudos também comprovam a importância de manter uma boa rede de contatos. No livro Inteligência Emocional, o psicólogo Daniel Goleman afirma que a prática da sociabilidade é fundamental para atingir o sucesso. E só se faz isso convivendo, expondo-se a culturas e hábitos diferentes. Essas experiências criam novas conexões no cérebro, tornando-o mais versátil e eficiente. É como conhecer dois ou três caminhos para ir a um mesmo lugar da cidade – você acaba chegando mais rápido.
Manter e comprometer-se
Pablo Martin, de 35 anos, também de São Paulo, conhece esses benefícios na prática. “Tenho amigos que conheci aos 2 anos”, exagera. O que conta é que ele faz questão de não deixar o tempo esmaecer as amizades. “Organizo encontros mensais com o pessoal do colégio, por exemplo.” Essa habilidade é fundamental na área em que Pablo atua: ele é diretor comercial de uma editora. Para angariar e manter novos parceiros, precisa estar constantemente criando e alimentando relações. “Sempre surgem oportunidades quando conhecemos alguém”, afirma. Pablo é tão bom nisso que até seus amigos se beneficiam: “Apresentei um colega de faculdade a um vizinho, porque os dois queriam montar um negócio. Hoje, eles têm um bar, e devem abrir outro”, orgulha-se.
O risco do networking é passar a enxergar as pessoas apenas como oportunidade de crescimento profissional. Se esse é o único interesse do relacionamento, dificilmente ele se sustentará. Quando instrumentalizamos demais as relações, tudo vira negócio, e aí deixamos questões afetivas de lado”, afirma Jacob Carlos Lima, professor do departamento de sociologia da Universidade Federal de São Carlos. Para que um relacionamento renda bons frutos – seja ele ligado ao trabalho, seja ligado a qualquer outra esfera da vida – é preciso haver comprometimento genuíno de ambos os lados. “A reciprocidade depende da estreiteza dos laços”, completa o especialista.
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Tecendo a rede Confira ideias para criar e manter contatos profissionais |
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