descobrir
A dois

Na adolescência, foi nossa primeira forma de experimentar o prazer – ou só a maneira mais divertida de preencher a falta de assunto. E beijávamos como exploradores de cavernas dedicados, sem constrangimentos. Adultos, beijamos com diligência romântica em começos de namoro, empolgados depois de umas doses a mais ou como carta de apresentação para nossas segundas intenções. Mas então acontece: nos assentamos e, estáveis e rotineiros, dispensamos as artimanhas da conquista. E num dia comum, olhando um casal na rua, nos damos conta: paramos de beijar. Sim, ainda se dá umas bitocas de oi e tchau. Mas e aquele beijo na boca apaixonado, com pressa de continuar, sem pressa de desgrudar, sem vergonha de acontecer? Ficou lá, nos nossos 15 anos, nas memórias de noites loucas ou nas saudosas primeiras semanas de namoro. Mas, oras, não há regras sobre quanto, ou até quando, podemos beijar. Ao contrário: por seus efeitos benéficos ao coração, a atividade é recomendada a senhoras e senhores com pressão e colesterol altos. Beijar ainda previne cáries, exercita músculos, embeleza a pele e acelera o metabolismo – um minuto intenso queima mais calorias que o mesmo tempo correndo ladeira acima. Os efeitos calmantes são comparáveis aos da meditação, e os hormônios liberados provocam uma sensação de bem-estar mais poderosa do que qualquer droga já inventada. Bem estabelecidas as desculpas, sobra a verdadeira razão: devemos beijar porque é bom, porque é íntimo, porque fortalece os vínculos... e porque, como pensávamos quando jovens, um beijo ainda é a menor distância entre duas pessoas.

















































