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A dona de seu nariz

Era a típica aventura por albergues e capitais do Velho Mundo. Edith e Luna faziam mochilão pela Europa. Uma amiga juntou-se a elas em Londres e as garotas saíram para curtir a balada. À meia-noite, Edith resolveu voltar sozinha de metrô. Um bêbado começou a assediá-la no meio do caminho. Assustada, correu em disparada até o hotel. Chegou ilesa e com mais uma história pra contar.
Edith é Maria Edith Almeida e tem 72 anos. Luna Almeida tem 23. São avó e neta. “Ficamos tão próximas naqueles 25 dias de viagem, em 2006, que foi difícil se separar”, confessa Luna. É verdade que Edith não é qualquer avó. Há mais de 30 anos essa professora e alfabetizadora aposentada viaja pelo mundo. O mapa da Europa está em sua cabeça: só à Itália, já foi cinco vezes. Conhece todas as grandes capitais e a América, mas não se furta a novos destinos (comprove nas fotos da próxima página). E nada de excursões da terceira idade: viaja sozinha ou com amigas queridas, como Alda Farina, parceira de muitas malas. Para ver o mundo, abriu mão de estar com a família. O marido nunca a acompanhou. “Ele fica em casa porque tem medo de avião”, sussurra.
A curiosidade nasceu nos tempos da escola, em Araçoiaba da Serra, no interior de São Paulo. Edith ouvia sobre a vida dos santos católicos e ficava imaginando como seriam aqueles lugares onde eles viveram. O tempo passou, veio o casamento, os dois filhos, e a vida seguia como mandava o figurino.
Um dia chegou o convite que nem os santos foram capazes de inspirar: viajar pelos Estados Unidos de carro, com mais três casais. Era o ano de 1975. Seriam dois meses on the road, cruzando 11 estados. Só no aeroporto caiu a ficha de Edith. “Olhei para trás e vi meu marido e meus dois meninos, de 10 e 12 anos, acenando. Alda falou: você é louca de deixá-los”. Edith respondeu: “Vamos embora”. E foi. Pegou gosto. Nada mais a impediria de viajar.
Tanta independência não escapou da falação dos familiares. Edith ficou com a lembrança desses comentários. Também dos momentos de solidão, como o que sentiu na romântica Veneza, longe de seu amor. Mas guardou como jóias as suas histórias. Seus olhos brilham quando fala de cada pessoa que cruzou seu caminho mundo afora. “Viajar pra mim é sinônimo de felicidade”, diz. O próximo destino será a Dinamarca e o Leste Europeu, em junho. Mais do que os lugares, em seus caminhos quer ver gente. “Há amigos a fazer.”


















































