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É um dos motivos que me fazem levantar da cama. Mesmo se todo o resto do jornal for só tristeza, sei que elas vão estar lá, na última página do caderno de cultura, me esperando para trazer alegria à minha manhã: as tirinhas. Tem as clássicas, com personagens fixos, divididas em três quadros: o primeiro apresenta a situação, o segundo traz o contraponto e o terceiro fecha com a piada. Essas são raras na coleção de recortes que ando montando. Lá só entram as que me fizeram rir de verdade. Aquelas que, mesmo quando olho de novo, sabendo exatamente o que vou ver e ler, me obrigam a mostrar os dentes. Prefiro as que não se levam muito a sério. Aquelas que, antes de acabar, já conquistam meu humor, seja pela situação esdrúxula que sustenta a história, pelo nome improvável do personagem, por uma gíria aparentemente desnecessária dentro do balãozinho – mas que faz toda a diferença. Às vezes, o texto nem é tão bom. Mas um detalhe do desenho, que poderia até passar despercebido – o dente torto do diabo, a estampa psicodélica da saia da vovozinha, o bigode do pinguim –, vale por toda a tira. Algumas piadas me fazem lembrar de amigos, porque tenho certeza de que eles achariam tão engraçado quanto eu. E como rir em grupo é sempre melhor que rir sozinho, aí mesmo eu sinto vontade de pular da cama, louco pra compartilhar a nova tirinha da minha coleção.


















































