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A princesa e a mestra

A princesa...
Onde termina a fantasia e começa a realidade? Aos 6 anos, Kawany Vanderlei não vê muito propósito nessa pergunta. Ela jura que tem 100 mil bonecas guardadas no quarto. A favorita é Rapunzel, cujos longos cabelos são trançados por bichinhos mágicos que vivem entre os fios. Cinderela é outra amiga de longa data.
Vestir as fantasias disponíveis na brinquedoteca do GRAACC é a sua diversão preferida quando vai ao hospital tomar os antibióticos. “Ela só sossega depois de provar todas”, conta Aparecida, sua mãe. Com figurino de princesa, a menina faz todas as poses de balé que se lembra de ter visto no filme sobre a Barbie bailarina.
Em casa, Kawany banca a artista plástica. Foi ao vê-la pintando que a mãe descobriu que ela já sabia ler. “Como você sabe que tem de pintar o tronco da árvore de marrom?”, perguntou. “Ué, tá escrito!”. A descoberta da leucemia veio cedo, aos 4 anos. Por isso, ela foi alfabetizada no hospital, pelos professores que atendem as crianças internadas. Agora, que só precisa ir ao GRAACC às vezes, está na escola. Quando crescer, se não for princesa, cogita dar aulas de matemática.
O tratamento deve ser concluído em junho, quando Kawany faz aniversário. Um presente e tanto. Mas ela promete voltar, para vestir todas as fantasias de novo.
...e a mestra
A idade adulta chegou na vida de Francine André ao fim da 2ª série do ensino médio. Ela precisava escolher entre o 3º ano tradicional ou a opção voltada para o magistério. Ali, ela decidiu que seria professora.
Naquele mesmo ano, uma experiência inesquecível confi rmaria sua vocação. Francine ficou sabendo que sua escola estava participando do programa SuperAção Jovem, do Instituto Ayrton Senna, e resolveu integrar a iniciativa. Na hora de definir qual projeto ela e suas colegas desenvolveriam, o grupo se valeu da paixão por crianças e de um olhar atento às demandas da população local.
Francine mora em Ibitinga (SP), a capital nacional do bordado, onde todos os sábados há uma feira de artesanato. Para acolher os fi lhos dos vendedores, o grupo de amigas montou uma creche dentro da escola. “Deu tão certo que tivemos de criar uma lista de espera”, conta.
Hoje, aos 24 anos, Francine dá aula no mesmo colégio onde estudou. E agora é ela quem orienta os alunos a desenvolver iniciativas dentro do SuperAção Jovem. Como a reativação da biblioteca da escola: antes, o horário de funcionamento e o acesso aos livros eram restritos. Agora, o espaço abre até nos fins de semana. “Quando você tem um problema, pode fazer algo para resolvê-lo. É isso que aprendemos no SuperAção Jovem”, ensina.

















































