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A tia de azulzinho

No último mês de dezembro, Solange Bertolini Maccaferri comandava uma reunião difícil com um grupo de voluntários do GRAACC, quando perdeu o fio da meada. Um choro de criança repentino fez com que interrompesse a discussão. “Não posso ouvir criança chorando. Saio de onde estiver para ver o que está acontecendo”, conta. Em segundos, a Tia de Azulzinho – como são reconhecidas a distância as voluntárias do hospital, por causa do avental azul royal, uniforme delas – gesticulava em frente ao pequeno que chorava. Rápida no pensamento, fruto da experiência de 35 anos como educadora, saiu contando histórias inventadas na hora. “Não te falei de um menino que morava numa casa gostosa?... Sabe o que tinha na casa dele?”. E assim, colorindo o mundo cinza da doença, vai levando a criançada para longe da dor. “É preciso mudar o foco e deixar o caminho livre para que médicos e enfermeiras possam trabalhar”, diz. Se como professora nunca entrava em sala de aula sem planejar, como voluntária ela aprendeu que é preciso se deixar levar e improvisar. Não era esse o plano quando se aposentou. “Ia me dedicar aos netos”, conta. “Mas percebi que ainda tinha muito mais pra dar e receber.” Uma amiga era voluntária no GRAACC e apresentou Solange ao hospital. Encantada com as crianças que, a despeito do câncer, se entregam com honestidade e gostosura a quem se aproxima delas, ficou. Hoje, Solange coordena os 350 voluntários do hospital sem receber nada por isso. Quer dizer, sem receber salário. O que ela ganha em outros valores é enorme. Se Solange agacha para arrumar a prateleira da brinquedoteca, a garotada se pendura em seu pescoço e a cobre de beijos. E, quando se sentem ameaçadas, é a Tia de Azulzinho que chamam para segurar sua mão. “Cheguei aqui para acolher, mas eu é que fui acolhida.” Ao comprar Sorria*, você ajuda Solange a cuidar de mais crianças. Obrigada!



















































