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Ai, que preguiça

texto Francisco Spagnolo // Foto: Julie Habel / CORBIS / LatinStock
 
Ai, que preguiça
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Só mais cinco minutos. Se pudesse dormir só mais cinco minutos, esse cansaço passava. O problema é que nunca são só cinco minutos. A cama é o altar da preguiça, e aconchegados nela tudo parece mais distante, menos urgente. Mas é preciso arrumar forças, o dia já começou. É então, nessa passagem entre o estático e o disparo, que nasce o espreguiçar. Chega lento e instintivo, empurrando tendões, engrenando músculos, esticando o corpo. Às vezes, nem é caso de sono – basta ficar muito tempo na mesma posição que braços, pernas e coluna, muito entediados, começam a ensaiar contraturas e relaxamentos. O alongamento involuntário melhora a circulação, acorda os membros e restaura o movimento. Tão gostoso e útil que é praticado por quase todos os bichos, com benefícios que vão da prevenção de dores e torcicolos ao combate à celulite. E contagia: por motivos ainda misteriosos, assim como em um bocejo, ver alguém se espreguiçando inspira a súbita vontade de se esticar também. Da rápida ginástica, despertamos com mais energia e boa vontade para dar os próximos passos. Muito melhor do que o efeito daqueles cinco minutos.
 

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