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Ano-Novo, vida nova

José Luiz largou o cigarro. Elaine passou a malhar. Paola conseguiu mais tempo livre. Veja como fazer do réveillon o ponto de partida para mudar aquilo que você tanto sonha em sua vida
Texto: Rachel Tôrres // Ilustração Nik Neves
Ano-Novo, vida nova
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Todo mundo conhece um punhado de simpatias para garantir felicidade no ano que começa. Mais que tempo de pedir, no entanto, o 31 de dezembro é uma ótima oportunidade de planejar. “Recomeçar um ciclo nos possibilita fazer o balanço entre o que está certo e errado e estabelecer metas para mudarmos”, afirma o psicólogo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Antonio Carlos Amador Pereira.

Muitas resoluções de ano novo, porém, naufragam tão rápido quanto o passar de sete ondas. Para evitar a frustração de não conseguir cumprir aquilo a que nos comprometemos, o primeiro passo é saber elaborar a lista de metas. “É preciso ter vontade de mudar, moderação nos objetivos e concretude nos desejos”, explica Antonio Carlos.

Vontade pode parecer o quesito mais fácil. Mas será que estamos realmente abertos aos sacrifícios que nossos planos implicam? “Muitas pessoas dizem que querem algo, mas no fundo não estão dispostas”, avalia Márcio Atalla, professor de educação física acostumado a lidar com alunos desejosos por alterar seus estilos de vida. “É preciso mudar a cabeça pra depois transformar o corpo e a saúde”, completa.

Foi exatamente o que o fez José Luiz dos Santos, de Lorena (SP), em 31 de dezembro de 1997. Às 22h daquele dia, ele pôs na cabeça que, após 25 anos de prazer e vício, glamour e pigarro, ele passaria a ser um ex-fumante. “Eu sabia que isso fazia mal à minha saúde e à da minha família, por isso decidi parar”, fala o aposentado de 71 anos.

A decisão vinha amadurecendo havia tempos. José Luiz já tentara largar o tabaco mais de uma vez, sempre gradualmente. Como não funcionava, apostou na mudança radical. E eis que deu certo. Para tanto, contou com o apoio da mulher e dos filhos. “Sem o cigarro, ele passou a atacar com mais frequência a cesta de frutas”, conta a esposa, Maria José, revelando uma das estratégias do marido. Com o fôlego renovado, ele deixou de ser sedentário e hoje anda cinco quilômetros, quatro vezes por semana.

Foco e realismo

Além de vontade, José Luiz também teve moderação na sua lista de resoluções: centrou fogo no ponto que mais lhe incomodava, em vez de criar um rol imenso. Fez bem: um estudo da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, mostra que as pessoas que se comprometem com apenas um desejo nas listas de fim de ano são as que mais obtém sucesso.

Outro quesito fundamental é a concretude da meta. Ou seja: o quão realizável ela é. Pois foi ao se cercar de garantias de que conseguiria cumprir seu objetivo que a instrumentadora cirúrgica Elaine Bazzi chegou lá. No réveillon de 2007, aos 40 anos, ela decidiu que era hora de encarar alguma atividade física. Pouco afeita a exercícios, sabia que a chance de desistir era alta. Então sabotou as próprias desculpas: buscou uma academia perto do trabalho (uma facilidade e tanto em meio ao trânsito de São Paulo), com horário flexível (assim como é sua agenda profissional) e cuja aula não durasse muito. “Minha série de exercícios tem só 30 minutos”, conta.

Mesmo assim, Elaine não nega que, às vezes, desanima. Aí ela lembra de como se sente bem depois da prática: “Parece que recarrega minhas baterias.”

Vamos por partes

Mas nem sempre é possível mudar um hábito de uma hora para outra. Muitas vezes, o segredo está em ter paciência e conquistar a transformação em etapas. Foi assim com a arquiteta Paola Codo, de Belo Horizonte. Na virada de 2010, ela estava se sentindo cansada, estressada e chata demais para seus 27 anos. Decidiu que precisava de mais tempo para si.

“Tinha dois empregos. Um deles para bancar as prestações do carro. Resolvi largá-lo assim que acabasse o financiamento”, diz. Mas isso só aconteceria no final do primeiro semestre. Então ela adotou um paliativo: entrou para a ioga. Com a agenda espremida, perdeu muitas aulas. “Mas as poucas vezes em que eu ia já fazia diferença”, constata.

Quando a dívida foi quitada, Paola finalmente pôde reorganizar a vida. Reafirmou que, melhor que manter a renda extra do segundo emprego, era aproveitar aquelas horas para si. Tornou-se assídua na ioga, realizou o sonho antigo de fazer aulas de samba e está adorando o tempo livre que ainda sobrou. Descobriu que uma meta só é exequível quando traz satisfação. E que a melhor simpatia de ano novo é a força de vontade.
 

QUE TUDO SE REALIZE
Veja algumas dicas para estabelecer e cumprir suas resoluções para 2011

• Escolha metas que lhe inspirem determinação e satisfação. Assim fica bem mais fácil executá-las.
• Procure soluções antecipadas para os obstáculos que consegue prever.
• Quanto menos itens na lista, mais fácil de centrar o foco e cumpri-los.
• Divida o objetivo final em metas intermediárias e cheque seu cumprimento durante o ano.

 

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