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Ao vencedor, as batatas

No fim da minha infância, o cardápio de casa passou por uma revolução. De repente, apareceram sobre a mesa travessas com batatas diferentes. Umas eram firmes e fortes. Havia as farelentas e as cheias de água. Outras se desfaziam em fios adocicados. Foi um problema de saúde de nossa cozinheira (minha mãe, no caso) que nos apresentou ao mundo maravilhoso de raízes e caules, como aipim, cará, mandioquinha. Lembro-me das dicas de tias-avós mineiras e das incursões aos livros de receitas de umbanda – que indica os ingredientes de cor clara para homenagear Oxalá. Ainda sinto a sensação de destampar panelas de pedra em que borbulhavam pedaços de inhame e de deixar derreter na boca chips fininhos de batata-doce.
Em pouco tempo, nos deslumbramos com as possibilidades dessas polpas. Dá para prepará-las de diversas maneiras: ensopadas, refogadas, assadas, recheadas ou fritas. E a textura semelhante possibilita substituir uma raiz por outra na hora de cozinhar. Além da diversão gastronômica, aprendemos que esses tubérculos subterrâneos são fontes de energia – a digestão leve foi o motivo da indicação médica. “Eles são carboidrato puro, de fácil absorção e imprescindíveis à saúde”, diz Gisele Raymundo, professora do curso de nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. “Sessenta por cento das calorias de nossa dieta vêm desse tipo de nutriente. É por isso que as raízes são uma das fontes de energia mais antigas da humanidade.”
A batata-doce, por exemplo, é utilizada há pelo menos 10 mil anos na nossa alimentação. Com a mandioca, consumida por cerca de 500 milhões de pessoas na América do Sul, ela constitui a base energética do continente. Ainda trouxemos a mandioquinha dos Andes, o inhame da Ásia e o cará da África. São tantas opções que essas batatas diferentes nunca mais deixaram os pratos lá de casa. Quer experimentar?

| ROSTIE Ingredientes • 800 g de mandioquinha sem casca ralada • 1 cenoura grande sem casca ralada • 1 cebola-roxa pequena picada • 200 g de bacon em fatias, cortadas em pedaços • 1 ovo • 2 1/2 colheres (sopa) de farinha de trigo • 1 colher (chá) de sal • 1 pitada de pimenta-do-reino • 200 g de queijo parmesão ralado • 1/3 de xícara de salsinha picada • 3 ramos de tomilho Modo de preparo Coloque em um escorredor a mandioquinha, a cenoura e a cebola e pressione para retirar o excesso de água. Frite o bacon até ficar crocante e escorra-o em papel toalha. Enquanto esfria, misture o ovo, a farinha, o sal e a pimenta em uma tigela. Junte a mistura de mandioquinha, o bacon, o queijo e as ervas. Forme com as mãos panquecas achatadas e frite-as, aos poucos, em uma frigideira antiaderente untada com azeite. Doure por cerca de 4 minutos de cada lado. |

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CHIPS DO BRASIL Modo de preparo do recheio |
FEIAS, MAS GOSTOSAS
Elas são duronas à primeira vista.
Mas é só levar ao fogo para revelar todo o sabor

CARÁ Branco e de casca escura, é um
caule subterrâneo rico em potássio.
Algumas variedades crescem em
trepadeiras – é o cará aéreo.

INHAME É um caule subterrâneo, rico
em magnésio, potássio e fósforo.
Nascido na Ásia, chegou até nós via África,
nas malas de viajantes e escravos.

BATATA-DOCE Essa raiz pode ter muitas cores:
sua polpa pode ser roxa, salmão, amarela,
creme ou branca. Boa para doces
e salgados, é rica em vitamina A.

MANDIOQUINHA Cor amarelo-ouro, rica
em vitaminas do complexo B, ela veio
do Equador e do Peru. Batata-salsa, baroa
e cenoura amarela são seus codinomes.


















































