Droga Raia

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Areia no cocuruto (e outras delícias)

Só eu ouvia aquele som engraçado que a terra fazia, friccionando meu couro cabeludo e ecoando na minha cabeça. Pura diversão!
Texto: Claudia Inoue
Areia no cocuruto (e outras delícias)
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Era assim: eu agachava, pegava um punhado de areia e levava a mão ao topo da cabeça, deixando os grãos deslizar lentamente, como numa ampulheta, do cocuruto às pontas do cabelo. Os colegas riam, a mãe às vezes brigava. Ninguém entendia. Porque só eu ouvia aquele som engraçado que a terra fazia, friccionando meu couro cabeludo e ecoando na minha cabeça. Pura diversão. Com o tempo, inventei outros hábitos malucos. Alguns, inclusive, compartilhados com boa parte da humanidade. Como a clássica maneira de comer bolacha recheada: primeiro a parte de cima, depois mordidinhas em volta do miolo, só para parecer que tem mais recheio que biscoito. E descobri que quase todo mundo tem alguma mania desse tipo. Dia desses, uma amiga confessou que desde a infância adora passar cola branca na palma da mão, esperar secar e depois ir arrancando, sentindo a cosquinha da falsa troca de pele. Lembro também de um amigo que não sossegava dentro da piscina. Para ele, a graça era sair da água fria e deitar no piso aquecido pelo sol, curtindo o mais confortável dos choques térmicos. Aposto que você também tem sua forma particular de explorar esses pequenos prazeres sensoriais. Pode até ser loucura. Mas é do tipo que faz feliz.

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