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Azeitar a vida

Logo que são colhidas, as azeitonas são selecionadas, lavadas e prensadas para liberar o sumo adorado desde o início da civilização. Delicie-se com essa maravilha saudável – e dê a ela seu toque pessoal
Texto: Filpo Nazário // Foto: Luiz Henrique Mendes // Produção de culinária e objetos: Beth Freidenson
 
Azeitar a vida
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Dizem que está acontecendo com o azeite de oliva o mesmo que recentemente ocorreu com o vinho no Brasil. Há alguns anos, muita gente não se preocupava com o tipo de uva, a procedência, a combinação ideal: era branco ou tinto, seco ou suave, no máximo. E azeite era azeite, e ponto. Hoje, porém, as grandes cidades chegam a ter lojas especializadas na essência da azeitona. E em quase todos os supermercados se encontra uma variedade de tipos e marcas de encher a prateleira. Com a ampliação da gama disponível, vem o aumento do consumo: nunca os brasileiros compraram tantos litros de azeite como agora.

A popularização do óleo das azeitonas no país teve início com a colonização europeia. “Consumido desde a Antiguidade na região mediterrânea, o azeite conquistou o mundo nos últimos 500 anos, principalmente por meio da expansão portuguesa e espanhola”, explica o estudioso Isaac Azar, proprietário da loja Azaït, em São Paulo. A partir dos anos 1950, pesquisas começaram a provar o valor de tal herança para a nossa saúde: hoje, sabe-se que o azeite de oliva é rico em gorduras monoinsaturadas e antioxidantes, que, entre outras vantagens, fazem bem ao coração.

Quer desculpa melhor para não hesitar em despejar o fio dourado sobre o prato – seja salada, carne, massa ou até sobremesa? Pois a melhor razão de todas é que, se já é bom puro, sozinho, melhor ainda acompanhado. Uma das coisas mais fascinantes sobre o azeite é que qualquer um pode aromatizá-lo com ervas e temperos, de acordo com o gosto pessoal. Além de delicioso e saudável, fica bonito que só vendo. E é mais fácil do que você imagina! Arranje umas garrafas bacanas, separe os temperos de que você mais gosta e já para a cozinha. Que seja para comer regando um simples pão – e quem precisa de mais?
 

Azeites aromatizados*

A lógica é a mesma para todas as receitas. O que varia é o condimento usado. Basta aquecer o azeite com o tempero e misturar com a mesma quantidade de azeite frio. Experimente também com pimentas variadas, tomilho, orégano, louro, alho, e o que mais lhe apetecer

Entenda a prateleira

Para não se perder entre tantas variedades de azeite no mercado, confira as diferentes características de cada tipo

Modo de preparo

Em uma panela pequena, misture 250 ml de azeite extravirgem com o outro ingrediente (veja as sugestões abaixo). Aqueça em fogo baixo por três minutos. Numa tigela, misture com 250 ml de azeite extravirgem frio e mexa bem. Espere esfriar, coloque em um vidro esterilizado e mantenha-o fechado.
A validade é de cerca de dois meses.

• Com canela
Ingrediente: 3 paus de canela.
Fica muito bem com carnes, como a do javali,
pato e coelho.
 
• Com alecrim
Ingrediente: 1 galho de alecrim.
É ótimo com carne bovina ou cordeiro.
 
• Com limão-siciliano
Ingrediente: casca de 1 limão-siciliano.
Indicado para peixes e saladas.
 
• Com manjericão
Ingrediente: 1 galho de manjericão.
Harmoniza com peixes, como linguado e robalo, e massas em geral.
 
• Com pequi
Ingrediente: lascas da polpa de 1 pequi.
Combina muito bem com codorna, peito
de frango e galeto.

• Com baunilha
Ingrediente: uma fava de baunilha aberta.
Use em sobremesas com chocolate.

*Receitas do Restaurante Paris 6

Os azeites se dividem em dois grandes grupos: os virgens e os demais. No primeiro estão aqueles obtidos apenas pelos processos físicos – basicamente, a prensagem das azeitonas. Há o extravirgem e o virgem. Os não virgens passam por transformações químicas de refino, como o uso de solventes. Além de menos saborosos, não fazem tão bem à saúde, pois perdem antioxidantes durante a industrialização. São vendidos ao consumidor final misturados a azeites virgens ou a outros óleos vegetais. Conheça cada variedade.

Extravirgem  É o mais puro e saboroso. Sua acidez (leia mais abaixo) é de no máximo 0,8%. Costuma ser usado para a finalização de pratos. A dica é procurar no rótulo não só a data de validade, mas também a safra mais recente, que garante maior frescor.

Virgem Comparado ao extravirgem, pode apresentar pequenos defeitos de cheiro e sabor, mas ainda assim é um bom azeite. Sua acidez máxima é de 2%.

Azeite de oliva (No rótulo não aparecem as palavras “extravirgem” nem “virgem”). É uma mistura de azeite virgem e refinado. Tem acidez máxima de 1%. Normalmente é usado para frituras e marinados.

Azeite composto Mistura de azeite refinado com outros óleos, como o de soja. Não é considerado um azeite de oliva verdadeiro. Se estiver interessado em sabor, não caia nessa armadilha!

Quanto menor a acidez, melhor o azeite? Não necessariamente. Outras características, como o índice de peróxido, ligado à oxidação, são fundamentais para a qualidade. • Peça para embrulhar frios apenas em filme plástico, sem isopor. Reutilize embalagens plásticas para guardar outros alimentos e objetos.

 

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