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Baila comigo

Não importa o estilo, a idade ou o lugar. Nem mesmo se você leva jeito. A dança é democrática – basta gostar. Conheça a história (e os prazeres) de gente que acertou o passo e inspire-se a se soltar também
Texto: Adriana Corrêa // Foto: Daniela Toviansky
Baila comigo
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Vale tudo. Assim filosofou Tim Maia sobre os bailes de sua época, aqueles em que “quem não dança segura a criança”. Dançar era então obrigação, cantava o síndico. Esses bons tempos estão sendo deixados pra trás, acredita o coreógrafo e educador corporal Ivaldo Bertazzo. “Antigamente, dançar era o programa. Hoje, as pessoas se arrumam e vão para as festas comer e beber”, repara. “Além disso, de tanto trabalhar sentadas, vão se descoordenando. Perdem as referências do corpo e viram um cabeção imenso.”


Ivaldo tem como missão desmistificar a dança e retomar a idéia de que essa celebração do corpo é instintiva para gente de qualquer idade ou sexo. E também funciona como um belo exercício: dá coordenação motora e espacial, fortalece os músculos, melhora a postura, a saúde cardiovascular, o sono e até a relação sexual. Fomos ver isso na prática. Em academias, salões, palcos e ruas, descobrimos gente que não tem vergonha de se divertir. Inspire-se nessas histórias, aumente o som e crie seus passos. Vale tudo!

Melhor que palavras cruzadas

Foi num baile que Carlos Moya, de 74 anos, e Antônia Grigio, de 60, se conheceram. Ele, que depois de aposentado virou professor de dança, flanava tão lindo pela pista que Antônia não resistiu. Foram poucos passos até que ela virasse aluna, depois namorada. Há cinco anos, casaram-se, e hoje se apresentam por aí. “Gostamos de ritmos animados, como o chachachá”, conta Carlos, enquanto pega Antônia no colo. No repertório também tem tango, bolero e gafieira. “Decorar coreografias é bom para a memória. Melhor do que palavras cruzadas”, diz. Prestar atenção no par também faz bem ao coração. “Dançar nos dá harmonia.”
 

Balé para balzaquianas

Quando criança, Vanessa Dantas suspirava na janela vendo garotinhas de rosa passar para ir ao balé. O pai não deixava: capricho bobo, dizia. Pois com o primeiro salário comprou uma sapatilha de ponta, e hoje a assistente financeira, de 37 anos, vai à mesma escola com que sonhou na infância. “Ninguém me tira mais do balé”, diz. Sua colega, a tradutora Renata Ho (na foto), de 32 anos, também realiza agora a vontade de menina. “Diziam que eu era grande demais para ser bailarina”, conta. Agora, ela treina o piétiner enquanto lava a louça. “Dou risada quando me falam que, depois dos 10 anos, não é adequado usar collant.”
 

Até sem saber dançar

Sim, é lindo flutuar pelo salão. Mas quer saber? Dançar é uma forma de libertação. Pra se divertir, não precisa nem de coordenação. Esse movimento, que tem nomes como dança-feio, freestyle e tecktonic, anda aparecendo em clipes de bandas bacanas, vídeos toscos no YouTube, na balada e até no meio da rua. Basicamente, pede que você não se reprima quando ouvir uma música deliciosa. Imite um robô, resgate a macarena, liberte a Madonna, interprete a letra da canção, invente seus passos e, sobretudo, ria muito de si mesmo. Vergonha? “Pfff...”, desdenha Carlos Santos, designer, de 29 anos, o John Travolta de peruca pink na foto, feita no centro de São Paulo. “Eu pago minhas contas.”
 

Passos como herança

A administradora Samira Rimkus, de 26 anos, sai para dançar rock e música eletrônica quase toda semana. Mas nas tardes de domingo, enfeita a cabeça com uma coroa de fitas e veste um traje de lã colorido, cheio de bordados. Com outros 30 amigos mal chegados à casa dos 20 anos, ela entoa cantos numa língua exótica e dança coreografias herdadas dos avós e bisavós, vindos da Lituânia, no Leste Europeu. “Resgato minhas origens pela dança”, conta. Na foto, Samira baila com seu par, o engenheiro Thiago Borysovas Poscai, de 23 anos, cercada pelo grupo, o Nemunas. A turma – todos descendentes de lituanos – usa o que ganha com as apresentações em viagens para conhecer a terra que homenageiam no palco.

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