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Boa noite

Pelo menos uma vez por dia ele se impõe, inevitável. As pálpebras pesam, os músculos querem se livrar da obrigação de sustentar o esqueleto, a mente já não se concentra com facilidade... o sono chegou. A força com que nos abate deixa claro que é uma necessidade tão essencial para o organismo quanto comer. Mesmo assim, não hesitamos em sacrificá-lo sempre que precisamos de mais algumas horas para aproveitar o dia. Se por um lado essa estratégia nos garante benefícios imediatos, como entregar um trabalho a tempo ou assistir a um bom filme da madrugada, por outro pode trazer sérios prejuízos à saúde.
“Até mesmo uma perda mínima de sono é capaz de prejudicar profundamente o ânimo, a produtividade, a capacidade de comunicação e a saúde em geral, afetando o aparelho gastrointestinal, o funcionamento cardiovascular e o sistema imunológico”, afirma no livro O Poder do Sono o especialista James Maas, professor de psicologia da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. No fim do século XIX, esse alerta não preocuparia muita gente. Naquela época, segundo pesquisas feitas nos Estados Unidos, dormia-se dez horas por noite. Hoje, a média caiu para sete.
O que tem roubado nossas horas de cama? Trabalho, trânsito e lazer, nessa ordem, segundo outro estudo americano. O ritmo intenso das cidades, com os serviços 24 horas, a poluição sonora e a ansiedade típica de nossos tempos, também tem comprometido a qualidade do sono. O resultado não podia ser outro: 44% dos brasileiros dizem dormir mal, segundo pesquisa realizada na I Semana Brasileira de Sono, em 2004.
Manutenção geral
Para entender como uma noite maldormida pode ser perigosa para a saúde, é preciso saber o que acontece no nosso organismo enquanto dormimos. O sono é dividido em duas etapas que se intercalam no decorrer da noite. A primeira é “semelhante ao coma”, como compara no livro Como Vai seu Sono? o médico Denis Martinez. A freqüência cardíaca e a pressão arterial diminuem, e a respiração torna-se extremamente regular. Na segunda, ao contrário, o cérebro passa por intensa atividade. Como reflexo da agitação do sistema nervoso, os olhos se movem rapidamente. Por isso a fase é chamada de REM (sigla em inglês para “movimentos rápidos dos olhos”).
Em cada uma dessas etapas ocorrem processos específicos, que juntos correspondem a uma grande manutenção no organismo. No sono não-REM, os músculos se enchem de sangue para se recuperar do esforço do dia, a temperatura do corpo cai a fim de conservar a energia e intensifica-se a ação de substâncias que regulam o sistema imunológico. No sono REM, que é quando sonhamos, a faxina é na memória. As informações adquiridas durante o dia são fixadas, e as lembranças que não têm importância são descartadas.
Quem não permite ao corpo realizar essa valiosa manutenção logo sente os efeitos. Uma pessoa acordada há mais de dezoito horas tem sua capacidade de resolver problemas que exigem raciocínios complexos diminuída em 30%.
A longo prazo, os prejuízos são ainda piores. Quem dorme mal tem maior probabilidade de sofrer de estresse, hipertensão, derrame, depressão, infecções, inflamações e fibromialgia. Recentemente, a falta de sono também foi relacionada à obesidade: o corpo interpreta a vigília extra como sinal de ameaça e protege-se estocando mais gordura. Para as mulheres, as notícias são especialmente ruins. As insones possuem tendência maior para desenvolver doenças cardíacas, e as que dormem menos de seis horas apresentam 60% mais risco de ter câncer de mama.
Durma bem
A saída é aprender a dormir bem. Para ajudar nessa tarefa, James Maas criou quatro regras. A primeira é dormir o número ideal de horas que seu corpo exige. Para descobrir o seu, faça o seguinte: durante uma semana, vá deitar-se oito horas antes do horário em que tem de acordar. Conforme a necessidade, a cada nova semana vá acrescentando ou diminuindo quinze minutos de sono por dia (alterando a hora de dormir, não a de levantar). Quando conseguir acordar na hora certa, sem o despertador, e se sentir desperto o dia inteiro, terá descoberto o intervalo mais adequado.
A segunda regra é ir dormir sempre na mesma hora, para regular o relógio biológico. A terceira é tentar dormir um sono contínuo, sem interrupções. Caso tenha de quebrar a primeira regra, acione a quarta: recuperar o sono perdido. Precisou dormir uma hora a menos hoje? Vá deitar uma hora mais cedo amanhã!
Além da disciplina de horários, outras dicas simples podem ajudar a ter o sono ideal (veja no quadro ao lado). Se elas não bastarem, talvez seja sinal de que você precise de tratamento médico. Nesse caso, não hesite em procurar um especialista (confira a lista de profissionais certificados da Associação Brasileira do Sono em www.sbsono.com.br). Se você quer ter um bom dia, tome todos os cuidados necessários para garantir uma boa noite.
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TOQUES DE RECOLHER Dicas para dormir com os anjinhos |
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Durma em ambiente escuro. A luz acesa perturba nosso relógio interno. Se for preciso, use uma venda. Se acordar para ir ao banheiro, acenda o mínimo possível de lâmpadas. |
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