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Cada esquina, uma comida

Em São Paulo, milho cozido, yakisoba, churros, cachorro-quente, churrasquinho. No Rio, empadinha, mate gelado, amendoim torrado, biscoito de polvilho. Salvador tem acarajé. Recife, tapioca. Belém, tacacá. Campo Grande, sopa paraguaia. Porto Alegre, xis. Encoste os excessos da temeridade. Comer em barraquinhas improvisadas na rua também pode ser uma grande viagem – daquelas em que nem é preciso ir muito longe. Pelos quitutes, conhece-se a história do lugar, do que dá na terra, da gente que vive ali. São uma herança brasileira antiga, do tempo em que escravas, a mando do patrão, faziam dinheiro percorrendo a cidade com tabuleiros cheios de toda a sorte de iguarias. Simples, fartas e baratas, as comidinhas também são exercício democrático: atendem os apressados, os sem grana, os com gula do cheiro que chama de longe. Convidam a uma prosa com o barraqueiro ou a uma pausa no banco da praça. Podem até ser românticas. “Nunca me esqueço de um churrasquinho grego que dividi com a mulher da minha vida”, suspira o paulistano Ricardo Periago. Taí outro gosto: de descoberta.

















































