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Chega de saudade

Sempre gostei de observar as pessoas nos aeroportos, especialmente as que aguardam no setor de desembarque. Imagino a história de cada uma, por quem esperam, há quanto tempo o viajante está fora. Invariavelmente, eu me emociono com os encontros. E, naquela quinta-feira nublada de julho, no Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, não foi diferente. Aguardava ali meu marido, que é jornalista e passou dois meses na África, cobrindo a Copa do Mundo. O voo de Johanesburgo chegou sem atraso, mas o desembarque se estendeu por mais de uma hora. Ansiosa, só me esqueci do relógio, por instantes, ao assistir às cenas ao redor. Um avô carregava um baita urso de pelúcia, e a espera pelo neto encerrou-se num abraço grandioso entre os três. Uma família de dez pessoas aplaudiu carinhosamente a tia que chegava da Europa. Os adolescentes que brincavam com uma vuvuzela dispararam a barulheira quando viram seus amigos. Uma menina de uns 5 anos segurava junto do peito uma folha de sulfite, com desenhos e letras coloridas: “Mamãe, te amo!”. Quando o Fernão apareceu, engasguei meu discurso cheio de saudade, transformado imediatamente em lágrimas. Notei, então, que meu hábito não é exclusivo: olhares solidários também nos vigiavam. Poderia garantir que o nosso abraço foi o mais apertado do mundo. Tive, porém, grandes concorrentes.


















































