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Chuá de alegria

A imagem está pendurada na parede da casa dos meus pais: dentro de uma piscina desmontável de lona, aparecemos, com nossos melhores sorrisos, abraçados, eu – então com uns 4 anos –, meus dois irmãos mais velhos e meu primo-irmão. Sempre que vejo essa foto, fico me perguntando: “Como era possível caber tanta diversão naqueles 6 metros quadrados?” Nadávamos um atrás do outro, os quatro ao mesmo tempo, dando voltas e mais voltas numa velocidade que me parecia alucinante. Jogávamos bola, tentávamos surfar sobre uma pranchinha de plástico, incorporávamos personagens, competíamos de todas as maneiras possíveis – pra ver quem era mais rápido, tinha mais fôlego, conseguia pegar primeiro um objeto jogado ao fundo. Eu não tinha a menor dúvida: era a coisa mais divertida do universo. A gente acordava pensando nisso, almoçava pensando nisso e esperava, contando os segundos, passarem as três horas regulamentares de digestão impostas por minha mãe. Saímos só de tardezinha, mãos e pés enrodilhados, lábios roxos nos dias mais frios, loucos para recomeçar tudo de novo. Alguns anos mais tarde, essas cenas foram repetidas por minha prima, 10 anos mais nova. Hoje, é meu sobrinho, de 8, que cumpre o ritual – assim como milhões de crianças fizeram e fazem. É a imagem que eu escolheria para representar a felicidade: uma criança sentindo-se plena, só porque está na água.


















































