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Como uma locomotiva

Viajar de trem é deslizar. Sem tropicão nem turbulência, os vagões rodam pesados e decididos, num sacolejar manso que embala a gente. Quando o corpo se acostuma com o movimento, a sensação é a de que estamos parados: a paisagem é que corre lá fora. Aqui dentro da cabine, o tempo é outro. E a época em que se ia e vinha de locomotiva pelo Brasil, por necessidade ou luxo, passou. Dela restam poucos trilhos por cidades do interior que nasceram – e adormeceram – ao redor de estações. As estradas de ferro foram cobertas de asfalto, e as viagens nunca mais tiveram o mesmo charme. Mas é preciso reencontrar essa decadência elegante dos trens, que guarda nostalgias de coisas que nem chegamos a viver. Pequenas rotas viraram passeio turístico, como a Curitiba–Paranaguá, na foto, que atravessa a Serra do Mar paranaense. Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo também têm seus trilhos (veja em www.abottc.com.br). Em viagem, um conselho de dom Pedro I, amante do trilhar: de vez em quando, feche os olhos. Retas e curvas suaves invadirão seus pensamentos.


















































