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Conselho é bom

Tomar decisões é difícil. Sofremos ao escolher e deixar algo para trás, e sofremos mais ainda na ansiedade de saber se foi a coisa certa. Então, para nos consolar das angústias, inventamos os gurus. São essas entidades quase mágicas, pelas quais – por razões quase sempre inexplicáveis – nutrimos um respeito místico e depositamos nossos anseios. Não se trata de religião: esses gurus não têm a intenção de nos pregar nada. Nós é que os transformamos em líderes imaginários. E damos outro sentido àquilo que dizem: na nossa cabeça, vira consolo, conselho, previsão, pérola de sabedoria. Que fazem a gente se sentir mais compreendido e menos solitário, mais seguros e dividindo, de algum modo, a responsabilidade pela decisão – afinal, ele disse que... É o caso de uma amiga que tem, como seu guru particular, Snoopy, Charlie Brown e sua turma: para ela, os quadrinhos valem por anos de terapia. Outra acredita piamente em Susan Miller, uma astróloga que, jura a moça, sempre sabe como ela se sente e lhe promete que vai dar tudo certo. Na última Copa, um polvo levou milhões a apostar na vitória deste ou daquele time (e acertou). Tem quem veja sinais em biscoitos da sorte, cartomantes, letras de música, passarinhos pousados nos fios. Se funciona ou não, quem crê é que sabe. Porque, no fim, é só isso o que importa: acreditar. É que, com esse apoio, nos sentimos mais corajosos para fazer aquilo que sabíamos o tempo todo ser o certo. Os gurus inventados, imagine só, servem é para nos devolver a fé em nós mesmos.


















































