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Da infância para a mesa

Crocante por fora e molhadinho por dentro. Assim, toda receita de bolinho de arroz é uma delícia. Mas qualquer uma perde para a que nossa avó fazia
Texto: Daniela Almeida // Foto: Rodrigo Braga
Da infância para a mesa
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Sábias eram nossas avós. Muito antes da onda ecologicamente correta, elas já tinham certeza da bobeira que é desperdiçar comida. A mais gostosa prova dessa ciência é o bolinho de arroz, petisco com sabor de almoço na casa dos velhinhos. A massa de sobras de arroz frita a colheradas é uma invenção feliz de quem tentava aproveitar restos de refeição. Quem foi não se sabe. Pode ter sido herança dos portugueses ou, então, uma versão do italiano arancino, feito de risoto.

O fato é que o bolinho caiu no gosto do povo. E as receitas seguiram a sabedoria popular, que agrega aqui, mistura ali, à sua moda. Por isso, em cada canto do país, o quitute vai à mesa de um jeito. Na Bahia ficou doce, assado com coco, arroz e açúcar. No Espírito Santo, ex-escravas teriam aproveitado uma supersafra de arroz, em 1920, para ir vender a delícia em Vitória, batizada bolinho de arroz da serra. Em Roraima, ele é quibe de arroz, pois leva recheio de carne antes de saltar na frigideira.

Dominar o segredo de um bom preparo, aliás, era desejo de muitas mocinhas casadoiras que buscavam a escola de culinária Wilma Kövesi, aberta em 1979. Betty Kövesi Mathias, filha de Wilma, hoje à frente da instituição, diz que a receita sempre fez parte do Curso de Principiantes, e de lá não sai. O sucesso é simples: como o arroz é básico, dependendo do tempero, cada bolinho fica único. “Minha mãe dizia: ‘Não busquem na minha comida o tempero de suas avós’”, conta. “Receita é referência. Depois cada um coloca um pouco de si.” Para variar, nossas avós sabiam. Será por isso que não há bolinho de arroz no mundo com o sabor de infância que o delas tem?
 


SEGREDO DE FAMÍLIA

O bolinho tradicional é este. Mas vasculhe também os velhos livros de receitas da família: quem sabe o segredo daquele temperinho especial não esteja perdido pela casa  

RECEITA DA NONNA

Nascido na Sicília, ilha no sul da Itália, o arancino também é feito de sobras, mas de risoto, de preferência o milanês, preparado com arroz arbóreo, caldo de carne, vinho, açafrão e parmesão. No recheio, vale tudo 

Ingredientes

250 gramas de arroz cozido
75 gramas de queijo parmesão ralado
25 gramas de salsinha picada
125 gramas de farinha de trigo
50 mililitros de leite
2 gemas

Modo de fazer

Misture o arroz cozido com o queijo ralado e a salsinha. Adicione as gemas, a farinha de trigo e o leite. Misture tudo até dar liga.

Com uma colher de sopa, pingue as porções da massa em óleo quente e novo – vai render cerca de oito bolinhas. Frite até dourar. Seque bem no papel-toalha. Para variar, você pode usar arroz integral ou acrescentar à massa pimenta biquinho, coco ralado, verduras picadas, rechear com pedaços de queijo, camarão...

Receita fornecida pelo Bar Pompéia

Ingredientes

2 xícaras de risoto pronto (feito com arroz
arbóreo ou carnaroli)
1 ovo
2 colheres de farinha de trigo
100 gramas de queijo parmesão ralado
1 colher de sopa de azeite ou de manteiga
Noz-moscada
Pimenta-do-reino
Açafrão em pó
Farinha de rosca

Modo de fazer

Misture tudo até obter uma massa firme. Unte a mão com azeite. Com uma colher de sopa, ponha a massa na palma da mão e vá moldando bolinhas. Faça um furo no meio e recheie com cubos de mussarela, molho à bolonhesa bem apurado (se tiver muito caldo, desanda!), ou um refogado de cogumelos. Passe na farinha de rosca. Frite em panela bem funda com óleo fervente.
Receita fornecida pela cantina Aracini• Peça para embrulhar frios apenas em filme plástico, sem isopor. Reutilize embalagens plásticas para guardar outros alimentos e objetos.

• Peça no mercado para embalar suas compras com sacos de papel ou caixas de papelão. Faça o mesmo com o lixo.

• Recicle. Se não há coleta seletiva na sua rua, procure uma cooperativa de catadores próxima no site do Cempre.               

 

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