Droga Raia

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De beber, de benzer, de banhar

Ainda bem que ela é a substância mais abundante do planeta: muito mais do que uma bebida essencial, a água pode ser o melhor meio para acalmar a mente e fortalecer o corpo
Texto: Roberta Ávila // Ilustração: O Silva
De beber, de benzer, de banhar
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Sem ingeri-la, seu organismo não dura mais de cinco dias. Nada mais natural, levando-se em conta que ela compõe 70% do nosso corpo. A água regula a temperatura, leva nutrientes para as células e serve de canal para eliminar toxinas, entre inúmeras outras funções. Mas não é só como bebida que ela nos traz benefícios. Lembre-se do prazer que sentiu na última vez em que deu um mergulho e você dificilmente duvidará: imergir nesse líquido precioso pode ser a melhor saída para relaxar e fortalecer nosso corpo, em diversas ocasiões.

Foi na água que a advogada Kátia Raele, de 34 anos, de São Paulo, viveu os dois momentos mais emocionantes de sua vida. Quando ficou grávida pela primeira vez, de Gabriela, que hoje tem 3 anos, Kátia começou a pesquisar sobre os vários tipos de parto. Interessou-se pelos relatos de gestantes que deram à luz dentro da água. “Fiquei com vontade de fazer o mesmo, mas não era uma exigência”, conta. Foram 11 horas de trabalho de parto no hospital. Quando a dor aumentou, ela entrou numa banheira. “A água quente me ajudou a relaxar. Não precisei tomar anestesia. Fiquei entre uma e duas horas dentro da água e então minha filha nasceu, super bem”, diz.

Quando engravidou novamente, Kátia quis repetir a dose. Agora, de forma um pouco diferente. Mariana, hoje com 3 meses, nasceu dentro de uma piscina de plástico, montada num dos quartos da casa da família. “Eu mesma me levantei depois que minha filha nasceu. Me senti revigorada”, conta. A ginecologista e obstetra Andrea Campos, que acompanhou o nascimento, esclarece a principal dúvida sobre esse tipo de parto: “Não há possibilidade de o bebê se afogar. Os pulmões nascem cheios de líquido, e a primeira respiração só vai acontecer quando ele entrar em contato com o ar”.


Chá de bebê


Raí, de 3 meses, não nasceu dentro da água. Mas logo na primeira semana de vida adorou mergulhar numa novidade que sua mãe, Hélen Gambary, de 19 anos, de Sorocaba (SP), apresentou: o banho de balde. “É bem simples. Uso um balde normal, de 21 litros. E tenho um termômetro à mão para controlar a temperatura da água, que fica a 36 graus”, relata Hélen. Como o bebê ainda não consegue sustentar a cabeça sozinho, ela o apoia pelo pescoço. O banho no balde não substitui o na banheira. É só para relaxar. E Hélen garante que funciona: “Um dia ele estava com cólica. Quando o coloquei no balde, ele se acalmou bastante. Até dormiu melhor depois”.

A educadora perinatal Ana Paula Garbulho explica o segredo da técnica: “É relaxante não só pela água morna, mas pela posição da criança. De pé, o bebê se sente protegido, não tem a impressão de que vai cair”. Ana sugere enrolar a criança em uma toalha, para que a sensação de estar imerso e envolto em tecido lembre o aconchego do útero.


Maratona aquática


Também foi a busca por conforto que levou Frederico Leviz, de 41 anos, para dentro da água. Nas horas vagas, o agente de viagens, de São Paulo, se transforma em maratonista. Tanto esforço lhe garantiu, em 2005, um “joelho de corredor” – nome popular da síndrome do trato iliotibial, uma lesão inflamatória aguda.

Impedido de correr até se recuperar, ele procurou uma atividade de baixo impacto que pudesse praticar até voltar à  condição normal. A solução foi encontrada no deep runing, um tipo de hidroginástica. Com um colete especial, o praticante se mantém flutuando na piscina, de pé. Aí é só correr. Frederico gostou tanto que pratica a modalidade até hoje. “Posso fazer um treino puxado com um risco muito baixo de me machucar”, diz.

“A água protege as articulações. E ao oferecer uma resistência 12 vezes maior que a dor ar, sobrecarrega a musculatura, desenvolvendo a força”, explica Roberta Rosas, professora de educação física que conduz o treino de Frederico. Como resultado, melhoram-se a flexibilidade, a agilidade, a coordenação e as resistências cardiovascular e muscular.

Lembrar-se desses benefícios ajuda a vencer a preguiça de cair na piscina no friozinho do inverno. Mas, mesmo nos dias em que a vontade de ficar em casa é maior do que tudo, a água pode ser uma boa companhia. Que tal um escalda-pés relaxante, por exemplo? Confira essa e outras dicas caseiras no boxe abaixo.

 

DILUINDO A DOR

Confira três tratamentos à base de água que você mesmo pode fazer em casa

Escalda-pés. Essa receita do tempo da vovó é ótima para relaxar após um dia cansativo. Ao estimular a circulação sanguínea, a água quente ajuda tanto a quem caminhou o dia inteiro quanto a quem passou horas sentado. Uma dica é colocar bolinhas de gude no fundo da água, para massagear os pés e aumentar ainda mais a sensação de bem-estar. 
 

Inalação. Colocar ervas e água quente numa bacia e aspirar o vapor também é uma prática antiga e eficiente. Duas plantas muito usadas são eucalipto e chapéu-de-couro. “A inalação hidrata e higieniza as vias aéreas”, afirma a médica Nely Victorino. Uma boa ideia para quem tem rinite ou está resfriado.


• Bolsa de água. Tomou uma pancada jogando bola? Aplicar uma bolsa com gelo sobre a lesão diminui a circulação local, evitando o inchaço e amenizando a dor. Já a bolsa de água quente alivia o desconforto de problemas crônicos, como lombalgias. Mas, nesse caso, é uma medida paliativa: o ideal é procurar um médico.

 

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