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De volta à escola

A sirene soou, a chamada começou, é a sua vez de dizer “presente” – veja como sua experiência profissional pode contribuir para a formação de quem ainda está no colégio
Texto: Larissa Soriano // Ilustração: Davi Calil
De volta à escola
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O baixista Fernando Quesada, de 24 anos, de São Paulo, já viajou pela América Latina e para a Europa tocando com sua banda de rock. Como produtor musical, ele trabalhou com diversos artistas no Brasil e nos Estados Unidos. Hoje, Fernando não tem dúvida de que acertou em cheio na escolha da carreira. Quando era um estudante do ensino médio, porém, via-se mergulhado em incertezas.

Um dos estímulos que levaram Fernando a apostar na música como profissão foi uma palestra de orientação vocacional a que assistiu no colégio Guilherme Dumont Villares, onde estudava. Em maio deste ano, ele retornou à escola. Desta vez, como um dos 40 profissionais de diferentes áreas convidados pela direção para ajudar os alunos a descobrir sua vocação. “Um grupo ficou empolgado e vem visitar o meu estúdio nas férias”, conta o músico. “Acho esse contato muito importante. Ao mesmo tempo em que eu passo minha experiência, fico sabendo o que eles pensam, de que gostam, o que para mim é fundamental. Afinal, entre eles podem estar os futuros profissionais que vou contratar”, completa.

Redirecionar os olhos para a escola e colaborar com o ensino, por meio da experiência adquirida no mercado de trabalho, é uma satisfação que cada vez mais profissionais têm experimentado. Pode ser apenas uma reveladora e atenciosa conversa, como faz Fernando, que realiza cerca de três palestras e workshops por mês, em salas de aula de todo o país. Mas pode ser também uma iniciativa bem mais pretensiosa. Como no caso da ONG Parceiros da Educação, criada pelo empresário Jair Ribeiro.


Choque de gestão


Em 2004, inspirado pela iniciativa da seguradora Porto Seguro, que efetuava melhorias em uma escola pública de São Paulo, Jair decidiu fazer o mesmo. Ex-diretor de um dos maiores bancos do mundo, o JP Morgan, o empresário decidiu colocar sua experiência administrativa em favor da educação: adotou a Escola Estadual Luis Gonzaga Travassos da Rosa, também na capital paulista.

Vidros estavam quebrados, paredes pichadas, lousas quebradas, banheiros alagados. Sem recursos, os professores viviam desmotivados. O ensino só podia ser uma tragédia: na 6ª série, quase metade dos alunos era analfabeta.

“Começamos cuidando das instalações físicas, que era o mais urgente”, conta Jair. Reuniões realizadas com a direção, professores, alunos e pais foram indicando outras demandas. Organizaram-se projetos de estímulo à leitura, e os professores passaram a receber treinamento pedagógico. Apenas um ano depois, já era possível mensurar a transformação: a escola avançara 12 pontos percentuais no índice do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp).

Os bons resultados levaram o projeto à expansão. Hoje, a Parceiros da Educação conta com 52 empresas participantes, que atuam em 80 escolas paulistas. “É um trabalho cheio de desafios e intelectualmente estimulante, o que costuma atrair os empresários”, afirma Jair. A exemplo do mundo corporativo, a meta da ONG é continuar sempre crescendo: até 2013, devem ser 500 escolas atendidas. “É uma obrigação minha devolver à sociedade tudo o que sempre tive o privilégio de ter”, conclui Jair.


Ciclo virtuoso


O sentimento de Jair é compartilhado por Evelyn de Moraes, de 26 anos, engenharia eletricista do Centro Internacional de Tecnologia de Softwares (CITS), um instituto privado de pesquisa localizado em Curitiba. Nascida num bairro pobre, ela estudou em escola pública até os 11 anos. Aí sua vida mudou. Ganhou uma bolsa de estudos numa boa escola particular, com direito a material didático, transporte e alimentação. Teve também aulas de reforço de português e matemática e pôde entrar num curso de idiomas. O apoio se manteve até que ela se formasse na faculdade.

Quem proporcionou tudo isso a Evelyn foram os voluntários que financiam o programa Bom Aluno, iniciativa criada pelos empresários Francisco Simeão e Luiz Bonacin que banca a formação dos estudantes de maior potencial selecionados nas escolas com os piores recursos. Cerca de 200 alunos são atendidos em Curitiba, e o modelo do projeto já foi exportado para outras cidades paranaenses, mineiras e gaúchas.

Os estudantes beneficiados, ao ingressarem no mercado de trabalho, acabam se tornando financiadores da iniciativa. É o caso de Evelyn, que hoje contribui com 330 reais por mês. Segundo o idealizador do projeto Francisco Simeão, de 62 anos, essa integração entre as diferentes gerações de alunos é uma das ideias principais do programa: “O que fazemos é aproveitar o talento de pessoas que não teriam oportunidade, apesar da vontade de estudar. Eles deixam de ser parte de um problema social para integrar a solução, multiplicando conhecimento, empolgação e histórias de vida”.

Dinheiro, experiência administrativa, conselhos profissionais... As histórias de Fernando, Jair e Evelyn mostram que todo mundo pode contribuir de alguma forma para melhorar a educação no país. O retorno também é coletivo, sob a forma de uma sociedade mais harmônica e consciente. Já pensou em como você pode ajudar?

 

Clique aqui e confira mais iniciativas como as da matéria.

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