Droga Raia

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Desembala que eu gosto

Potes, frascos, garrafas, caixas, latas: a gente não consegue mais viver sem embalagens. Mas, para o planeta não virar um lixão, tem de maneirar. E nem é tão difícil
Texto: Caroline Mazzonetto // Ilustração: Adriana Komura
Desembala que eu gosto
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Pense na última caixa de bombons que você comeu. Cada guloseima chegou na sua casa enrolada em papel-alumínio coberto por um plástico colorido dentro de uma caixa de papel protegida por um filme. Se era presente, havia ainda o embrulho. Tudo dentro de uma – ou duas, pra dar uma reforçada – sacolinha de supermercado.

Quando você já sentia saudade do chocolate, o lixo da sua cozinha estava repleto de lembranças que a natureza levará séculos para esquecer.

A embalagem é, sem dúvida, uma invenção essencial. Sem ela você não teria coragem de levar à boca algo produzido a quilômetros e exposto numa prateleira de supermercado. E como traria os produtos de limpeza para casa? Conservaria alimentos e bebidas? Guardaria o xampu e a pasta de dentes?

Tanta comodidade, porém, custa caro ao ambiente. A questão começa na produção: a fabricação de papel, por exemplo, é uma das atividades industriais que mais demandam energia e água – sem falar na matéria-prima, a madeira. Tudo para gerar um produto que muitas vezes é descartado em segundos.

A cada compra, você leva para casa dezenas de embalagens que terão
uma vida útil muito curta, mas levarão séculos para se decompor


Um terço do que o brasileiro joga fora são embalagens. A grande maioria vai parar em aterros e lixões a céu aberto – destino de 94% do lixo residencial, segundo o IBGE. Lá podem permanecer durante séculos até se decompor. Mais precisamente, 400 anos no caso do plástico – e uma eternidade para o vidro e o alumínio. Ultraduráveis, esses materiais criam uma camada que dificulta a decomposição da matéria orgânica. Além disso, seu acúmulo leva à expansão dos lixões, o que facilita a disseminação de doenças e a contaminação das águas.

A saída mais difundida para evitar que o planeta vire uma imensa lixeira é a reciclagem. O Brasil é um dos países que mais reaproveitam latas de alumínio (96% delas) e garrafas PET (47%), segundo a organização Compromisso Empresarial para Reciclagem. Porém, o índice de reaproveitamento de outros tipos de plástico, como as sacolas de supermercado, de latas de aço e caixas longa-vida, ainda está abaixo dos 30%. Qualquer aumento é bem-vindo: cada tonelada de aço reciclado, por exemplo, preserva mais de 100 mil toneladas de minério de ferro.

Outra alternativa, mais recente, que já vem sendo implantada no país, é a substituição das sacolas plásticas convencionais pelas oxibiodegradáveis, que se decompõem em cerca de dois anos. Elas também são derivadas do petróleo, mas recebem um aditivo que acelera a degradação. A novidade, porém, é polêmica: segundo alguns especialistas, seu processo de fabricação é poluente e seus impactos ambientais não são conhecidos.

Para não errar, faça como sua avó: na hora das compras, use sempre a mesma bolsa, de lona ou de outro material resistente, ou carregue o carrinho de feira. Atitudes simples como essa fazem uma enorme economia no seu lixo. Veja no quadro ao lado outras idéias para usar as embalagens de forma racional – e assim estender a validade do planeta Terra. 

FAÇA VOCÊ MESMO

Pequenos hábitos na hora de fazer compras e embalar
o lixo evitam o desperdício e ajudam o planeta  
 

• Evite produtos excessivamente embalados. Por que o tomate precisa vir numa bandeja de isopor, coberto de plástico, dentro de uma sacolinha?

• Prefira artigos recicláveis, reciclados, retornáveis ou que possam ser reutilizados com refis e recargas.

• Compre fruta e legumes a granel. Prefira pacotes grandes – um de 5 quilos de arroz é melhor que cinco de 1.

• Peça para embrulhar frios apenas em filme plástico, sem isopor. Reutilize embalagens plásticas para guardar outros alimentos e objetos.

• Peça no mercado para embalar suas compras com sacos de papel ou caixas de papelão. Faça o mesmo com o lixo.

• Recicle. Se não há coleta seletiva na sua rua, procure uma cooperativa de catadores próxima no site do Cempre.               

 

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