Droga Raia

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Doces deleites

Separados, açúcar e leite emocionam pouco. Juntos, amarram a língua e confortam a alma. Arranje um tacho. E colher de pau à obra
Texto: Marcela Dias // Foto: Rodrigo Braga
Doces deleites
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Atire o primeiro torrão de açúcar quem nunca ousou furar a lata de leite condensado para sugar o creminho lá de dentro. E raspar a panela de mingau? É impossível resistir ao casamento per-feito do leite com o açúcar, uma união que remonta aos tempos da colonização portuguesa – e às primeiras doçuras da infância.

No decorrer do domínio lusitano por aqui, o leite era um tanto desprezado. O Brasil tinha riquezas naturais demais para fazer brilhar a cobiça dos exploradores. “E, como ainda não haviam descoberto uma forma de conservar o leite, acabou-se encontrando na cozinha um jeito de garantir sua permanência”, explica a nutricionista Maria Luiza Ctenas, autora do livro A Vitória do Leite.

Ainda bem que os homens do dinheiro deixaram a bebida sobrar para os tachos. Influenciada por várias culturas, nossa cozinha virou laboratório. Da parceria com o açúcar, nosso “ouro branco”, vingaram receitas de trincar o queixo: balas puxa-puxa, pudins aerados, um sem-fim de docinhos, variações do doce de leite. A doçaria fincou tradição onde o gado (e o leite) abundava, como Minas Gerais e a Região Sul, mas reconfortou estômagos de todo o país. Veja só: alguns estudiosos acreditam que a palavra leite derive do termo indo-europeu mirjati – o mesmo que acariciar.

Desses afagos e raízes Maria Emília e Obeny das Candeias entendem. Há 25 anos eles compartilham um casamento adocicado pois comandam, na feira da Praça Benedito Calixto, em São Paulo, uma barraca de compotas caseiras. Obeny compra tudo, rala o coco, descasca a abóbora. Maria Emília vai ao fogão perpetuar as receitas da avó. O aprendizado, quando ainda era criança, foi com o fogão a lenha, aceso o dia todo para apurar os doces. Mas, mesmo nos tempos de fogões modernos, o afeto familiar permanece. Na especialidade de Maria, a tentadora ambrosia, mais ainda. “Esse doce tem o poder de transformar o semblante das pessoas”, diz Obeny. Experimente se olhar no espelho enquanto prova uma colherada.
 



AMBROSIA CREMOSA

O ovo é o terceiro elemento desta receita portuguesa. Acredita-se que a tradição dos doces de ovos e açúcar tenha nascido nos conventos. As freiras engomavam o hábito com claras e criavam doces com as gemas



PUDIM DE LEITE

O chef de cozinha Julian Gil Rivera, de origem espanhola, foi buscar esta receita nos cadernos da mãe. Ele sugere que o doce seja feito com leite fresco e gordo (e não o pasteurizado) para obter uma textura aerada

ingredientes
• 3 litros de leite integral
• 1 kg de açúcar cristal
• 8 ovos inteiros
• 5 cravos
• 1 canela em pau

Modo de preparo
Em uma panela grande (número 40), junte o leite, o açúcar, os cravos e a canela e deixe ferver em fogo baixo. Separe claras e gemas. Em uma vasilha, bata as claras em neve. Adicione aos poucos as gemas à batedeira e despeje devagar essa mistura no leite fervendo. É a hora em que o doce costuma “crescer” na panela e quase transborda. Deixe cozinhar em fogo brando e, com uma colher de pau, mexa para trazer o doce da parte de baixo da panela para cima. Quando a mistura estiver reduzida a três quartos, com a aparência de um caldo grosso e cremoso, desligue o fogo.

Finalização
Coloque em um pote, espere esfriar e leve à geladeira. Se quiser, na hora de servir, salpique raspas de limão.

Receita de Maria Emília das Candeias

ingredientes
• 250 g de açúcar refinado
• 4 ovos inteiros
• 4 gemas
• 500 ml de leite
• 30 ml de água

Modo de preparo
Em uma assadeira de pudim, mistura a água com metade do açúcar e cozinhe em fogo baixo até ficar em ponto de caramelo. Desligue o fogo e espalhe rapidamente o caramelo por toda a assadeira, para que fique untada por igual. Reserve. Em uma vasilha, bata os ovos inteiros e as gemas com o restante do açúcar até obter um creme homogêneo. À parte, ferva o leite e junte ao creme de ovos. Leve ao forno preaquecido, em banho-maria, por 45 minutos, em fogo médio. Retire, espere esfriar e leve à geladeira.

Finalização
Para desenformar o pudim, mergulhe a assadeira até a metade de sua altura em água quente e passe uma faca sem serra nas bordas para soltar.

Receita do chef de cozinha Julian Gil Rivera, do restaurante Toro

 

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Comentários:
eu quero agradecer e espero hoje mesmo comer o PUDIM DE LEITE
adailton francisco de assis
Olá Adailton.
Nós é que agradecemos pela leitura. Espero que se delicie com essa doçura.
Abraço!
Tissiane Vicentin
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