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Ecológica é a sua avó

Sustentabilidade é uma coisa que a sua avó já fazia (ou ainda faz). Tente lembrar: ela reaproveitava sobras de alimento em receitas criativas, regava as plantas com água da máquina de lavar, juntava os pedacinhos de sabonete usados para fazer um novo. Talvez você torcesse o nariz, ou até se perguntasse se isso não era coisa de gente pão-dura. A verdade é que nossas avós tinham bom senso, fruto de sábia experiência e da cultura de poupar sempre, hoje substituída por uma mania de descartáveis. O barato é que, em tempos de ecologia urgente, elas podem ser nosso manual afetivo de atitudes verdes.
Quem começou a constatar isso foi Ed Cohen-Rosenthal, já falecido professor da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Pioneiro de grandes idéias para o design sustentável, é dele a primeira frase desse texto. Segundo Ed, em um passado recente, as pessoas evitavam o desperdício guardando e reutilizando tudo o que podiam.
Dona Maria Antonia Antoniolli, de 75 anos, é prova viva. A avó de duas netas bem poderia dar aulas de economia do lar. Antes de atender o telefone para dar essa entrevista, ela desligou a TV. “Por que deixaria o aparelho ligado se não estava mais prestando atenção?”, questiona. Atenção ela presta, e muito, na conta de luz, que não passa de 14 reais (ela mora sozinha). “Eu nasci no mato, a gente tinha de plantar para comer. Então aprendemos a não desperdiçar”, conta a senhora natural de Campinas, no interior paulista. Aos 12 anos, quando sua família chegou à capital, dona Maria continuou de alma verde. “Quando vou cozinhar verduras, aproveito tudo. A água eu jogo nas plantas e com as cascas adubo o jardim.”
Foi por causa de lições assim que a americana April Tow, de 28 anos, pensou em levar uma vida mais próxima à de seus antepassados. “Sempre que pensava em como fazer tudo de forma mais sustentável, eu me lembrava da minha saudosa avó Marlene”, conta. April começou a usar cascas de fruta para fazer compotas, a comprar apenas alimentos da estação – além de mais baratos, não exigem tantos químicos na produção – e a deixar as roupas secando em um varal, coisa rara nos EUA, onde a máquina de secar é quase onipresente.
Sua grande idéia foi registrar cada uma de suas “voltas ao passado”em um blog, o MyGrandmaWasGreen.com (na tradução, Minha Avó Era Verde). “Mas nem todas as experiências foram bem-sucedidas”, revela a blogueira. “Tentei trocar as fraldas descartáveis pelas de pano, mas minha filha ficava molhada, acordava de noite e eu gastava uma água danada para lavá-las.”
Raquel Diniz, do Instituto Akatu, que trabalha com consumo consciente, desata esse nó: se muitas práticas antigas podem ser retomadas, como o uso de sacolas de pano nas compras, é preciso levar em conta também o contexto atual. “Temos mais recursos, mais tecnologia, e devemos usar isso a nosso favor. Como as sacolas de plástico biodegradáveis”, completa.
Inspirado? Falta tentar aplicar a idéia na prática e descobrir quais hábitos rotineiros podem mudar sem muito esforço. Em vez de jogar o resto de água da chaleira na pia, você começará a regar suas plantas automaticamente. “Sempre posso fazer as coisas pensando em honrar o estilo de vida de meus avós, juntando o melhor dos dois mundos: o meu e o deles”, diz April.
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DE DENTRO DO BAÚ Além do segredo daquele pudim de leite fenomenal, sua avó poderia guardar no caderninho de receitas essas dicas de economia em casa |
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• Para clarear roupas amareladas sem usar alvejante: ensaboe-as com sabão de coco e deixe-as ao sol para quarar (verbo que significa “clarear ao sol”). Depois as enxágüe. |
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