editorial
Eu aceito

As melhores histórias que conheço são sobre o amor. Amor que vence abismos enormes, supera todos os perigos e perdas, vive de coincidências inacreditáveis, navega sem balançar num mar de grandes certezas. Amor que é, simplesmente. E porque é, sem “talvez”, “será?” e “e se...”, não sofre de nada senão saudades e alguns desencontros.
Essas histórias não são as minhas. Nem das pessoas que conheço. São as histórias inventadas de livros, filmes, novelas e músicas nas quais tudo é possível e acaba bem, sem grandes explicações, mesmo quando as coisas vão mal. São as histórias grandiosas que me pego querendo ter, comparando com as que vivo – e que, mesmo sendo bem comunzinhas, conseguem ser sempre muito mais difíceis de resolver.
Mas acontece que o amor não é sobre mágica, sorte, merecimento nem destino. Amor, venho descobrindo com o passar dos anos e das histórias reais, é sobre aceitação. Aceitar que, bem, não há magia. Aceitar que quem amo é imperfeito, confuso e com freqüência não faz o que eu gostaria. Aceitar que eu mesma sou falha, complicada e com freqüência desaponto o outro. Aceitar que há dias bons, dias sem graça, dias realmente ruins. Aceitar que, por mais que faça planos, ensaie conversas definitivas e espere o melhor, eu estou sujeita ao incontrolável: a vida é imprevisível, as pessoas o são mais ainda, e as coisas não acontecem sempre do meu jeito.
Amor é sobre aceitar que não necessariamente o que eu acho de alguém é o que ele é de verdade. É aceitar que, por mais que eu peça, tente, queira, ninguém muda, se não estiver a fim, por conta própria. É também aceitar que não adivinhamos pensamentos: nem eu, nem o outro. Aceitar que discordamos muito e erramos bastante. Até aceitar que, por maior que seja o amor, uma relação pode fazer mal, e tenho que aceitar meus limites. E amor é, principalmente, sobre aceitar que tudo – brigar ou tolerar, desistir ou insistir, ser feliz ou sofrer – é minha escolha, minha responsabilidade. Se fiquei, é porque quis, e não há a quem culpar.
À medida que entendo isso, lido melhor com minhas histórias. E, sabe, vou descobrindo que, com todo o esforço que é preciso, elas são muito melhores do que aqueles romances. Porque são minhas. E o amor de verdade, com todas as suas confusões, é a coisa mais extraordinária da minha vida. Me faz querer ser uma pessoa melhor, me dá esperança, me faz sentir viva. Eu aceito. Espero que, depois de ler as histórias – reais – desta edição, você se inspire a aceitar mais também.
Tenho um enorme orgulho da Sorria*. E sei, pelo meu próprio esforço, que não se faz uma revista como essa só porque, afinal, é nosso trabalho. Ela fica tão boa porque somos apaixonados por escrever, desenhar, fotografar, inventar.
P.S.: Se esta é a primeira vez que você compra Sorria*, vale a explicação: ela é uma revista social da Editora MOL. Descontados os impostos, 100% do valor que você paga por ela é doado ao Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), um dos maiores e melhores hospitais no país a tratar o câncer infantil.
O GRAACC fica em São Paulo, mas atende, gratuitamente, milhares de jovens pacientes do Brasil todo, realizando desde consultas até transplantes, além de atuar no ensino e na pesquisa. Ao oferecer um tratamento que preza a qualidade de vida, seus índices de cura são iguais aos de hospitais de ponta dos Estados Unidos e da Europa. O GRAACC existe graças à parceria com a Universidade Federal de São Paulo, ao patrocínio de centenas de empresas e à colaboração de milhares de pessoas, como você, que se associaram a essa causa. Comprar Sorria* também é uma grande forma de ajudar.

















































