brincar {eu amo...}
Fazer compras na feira

“Tenho 53 anos. Nunca comprei uma latinha de massa de tomate industrializada na vida. Nem em caso de emergência. E olha que toda semana tem molho de tomate em casa. Quero me dar ao luxo de comer produtos frescos. E a qualidade da feira é imbatível. Tomate, por exemplo. Eu sei escolher tomate. Gosto disso. Aprendi com minha avó, que me levava ao Mercado Municipal de São Paulo quando era menino. Íamos de carroça para abastecer a quitanda dela. Sei que ela gostaria de me ver escolhendo “aquele” tomate. E escolho. Quando não acho, peço para renovarem a banca, despejarem as caixas novas, só para eu ter o prazer de comprar o tomate certo. Acho que é coisa de família: minha mãe foi feirante e meu pai trabalhou oito anos carregando caixas de fruta no Mercadão.
E a chance de experimentar tudo? Outro belo diferencial da feira. Melancia, por exemplo, só compro depois de provar e me certificar de que está doce. Se fizesse isso no supermercado, estaria infringindo uma regra. Na feira, não: provo de tudo. Mexerica, uva, caqui, ameixa... Tem outra: é um espaço honesto, de pessoas batalhadoras, e gosto disso. Os feirantes são solidários com os colegas e clientes: quando o produto não está tão bom, eles dizem logo, fazem baciada mais barata. Quem vai à feira é fiel. A gente confia naquelas pessoas que estão sempre lá. É como ir ao seu barbeiro. Não é impessoal. É bacana ser chamado pelo nome quando vai comprar a sua comida, sabe? É isso. A feira é um delicioso exercício da democracia. Acorde cedo e comprove.”
*Giovanni Di Sarno tem 53 anos, é médico e garante que os melhores tomates para molho são maduros, porém firmes.

















































