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Felicidade em duas rodas

Tem a ver com liberdade. Com vento no rosto, sensação de que a gente quase pode voar. Tem a ver também com orgulho por superar limites, por conseguir executar a mágica de se equilibrar e mover as rodas sem nenhum motor que não o próprio girar, girar, girar. Isso é andar de bicicleta. Como a maioria das crianças, aprendi a pedalar usando rodinhas de apoio. Temia nunca conseguir ficar sem elas. Mas aí, um dia, o feitiço aconteceu, e, sem nem perceber como, eu já estava andando de bicicleta. Foram alguns tombos e muitos momentos de pura alegria voando pelas ruas e calçadas da cidade do interior de Minas onde nasci. Anos depois, já adulta e morando na maior capital do país, redescobri esse prazer de criança. Estava trêmula no início, com o medo de ser a única pessoa do mundo que esqueceu como andar de bicicleta. Alguns metros, porém, e comecei a sentir, de novo, o vento no rosto, o cadenciar das pernas, a alegria de estar em movimento pela energia apenas do meu corpo. Aos poucos, a bici me ensinou novos prazeres, como me relacionar com a cidade de forma mais humana, me locomover sem depender de carros nem de ônibus e perceber que, depois de cada subida penosa, vem uma descida incrível, que compensa o esforço e justifica o sorriso. No fim das contas, meus receios eram bobagem. Quem aprende a voar realmente não esquece.


















































