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Foi um rio que passou

Tem os de fundo de pedra lisa de limo, límpidos e escuros. Tem os de cor de café-com-leite, que, quando se pisa, a lama cremosa se mete entre os dedos, quase uma aflição. Tem os de fundo de areia, de pedrinhas, de plantas. A água pode ser gelada, vinda do mato, ou mais quente, se a correnteza é fraca. Tem os largos e traiçoeiros, e tem aqueles estreitos, onde dá pra juntar pedras em represas de mentirinha. Nenhum país tem tantos rios quanto o Brasil. Milhares, de todos os tipos. Muitos são poluídos, é verdade, mas, em algum lugar nem tão longe de você, existe um onde se pode mergulhar. Eles inspiraram histórias de Monteiro Lobato e Guimarães Rosa, poemas de Mário Quintana e Manuel Bandeira, músicas populares cheias da simbologia da água que passa e leva embora a dor. E como se não bastasse, banho de rio é uma delícia.

















































