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Grande Lucas

Lucas Nogueira se ajeita na maior cadeira da sala e balança as pernas pra frente e pra trás. Acena para o cachorro do vizinho, arruma os óculos, joga beijos para a mulher que passa, chama uma amiga, fala pra mãe que não quer salada, narra um trecho de uma partida de futebol (“é gooooool, do Brasil-sil-sil!”), ajeita o cabelo, grita apontando para o céu quando vê um avião. Lucas não pára. Aos 8 anos, ainda não passou de 1 metro de altura, mas, onde quer que esteja, ocupa o espaço – e as atenções – de um gigante. “Os meninos me chamam de baixinho, mas as meninas me gostam e minha mãe me acha bonito”, explica, rindo às gargalhadas. “Tenho dez namoradas. Se quiser, pode ser a número 11”, pisca para a repórter. E mostra a luzinha vermelha da sandália, que acende quando coloca o pé no chão. “É sapato de cabra-macho do Ceará, que nem meu pai”, conta. “Ele nem é tão bonito, mas é grandão assim ó, do tamanho do céu”, diz, abrindo bem os braços. Filho único, vive pedindo um irmão. “Um menino só meu, pra dividir meus brinquedos e ir pra rua paquerar lá em Tianguá, minha cidade, conhece?”. Lucas gosta de posar para fotos, brincar de diretor, fingir de apresentador de jornal. Mas não quer ser famoso, assim, de TV. “Vou ser neurocirurgião pediatra, para operar a cabeça das crianças”, afirma. A vocação nasceu da experiência com o próprio caso. Lutando contra um tumor cerebral, Lucas já fez 14 cirurgias e sabe que seu problema é na hipófise. “Por isso ainda não cresci muito e tenho de tomar injeção todo dia. Na barriga, na perna, no braço, na bunda... Tanto lugar!”. A doença não o impede, no entanto, de ser tão atrevido quanto seu personagem preferido dos gibis, o Cebolinha. “Danado como eu”, conta, dando risada. Lucas é paciente do GRAACC. Ao comprar Sorria*, você ajuda ele a ficar cada vez maior. Obrigada!


















































