amar
(Isso) eu aprendi

Repare. Não há um só dia em que a gente não aprenda alguma coisa nova. O.k., às vezes é só uma coisa antiga de que ainda não tínhamos nos dado conta. Sentimos orgulho de várias dessas lições, passando-as adiante em forma de conselhos. De outras, morremos de vergonha: como é que não tinha entendido isso antes? E quanta coisa ainda existe que a gente tenta, tenta, mas não consegue, de nenhuma maneira, aprender. Agora pense. O que foi que você aprendeu de mais valioso na sua vida até hoje? Fizemos essa pergunta a 300 pessoas de todas as idades e de todo o Brasil. E olha que elas aprenderam...
“Aprendi que as coisas são sempre piores na nossa cabeça do que na realidade. Sofria demais por antecedência, imaginando ‘e se... isso, e se... aquilo’. Quando acontecia, não era nada demais. O pior já havia passado, e foi dentro de mim.”
Lucinha de Lima, 50 anos, Canoas (RS)
“Aprendi que o sorriso é contagiante. Não espero ninguém me cumprimentar, faço questão de saudar todo mundo, com um sorriso, todos os dias. É incrível, mas até as pessoas tímidas ou sisudas sorriem de volta e falam bom-dia.”
Angela Araújo, 42 anos, Norwalk, EUA
“Aprendi que, não importa quanto eu queira, nem quanto tente: eu não consigo mudar ninguém. As pessoas são o que são. E preciso amá-las por sua verdade, não pelo que eu gostaria que fossem. Entendi isso aos 70 anos, na missa de minhas bodas de ouro. Fosse antes...”
Elma de Lima, 83 anos, Rio de Janeiro (RJ)
“Demorei 25 anos pra aprender que desembaraçar o cabelo antes de lavar deixa ele menos embaraçado depois da lavagem. É tão lógico... Assim arranco menos fios das minhas longas madeixas. ”
Gersiane Hosang, 25 anos, São Paulo (SP)
“Sempre tive uma convivência familiar conturbada. Isso me atingia tanto que eu me retraía, não olhava nos olhos de ninguém, só andava de cara amarrada, cabeça baixa e cabelo preso. Eu nem me enxergava. Durante as brigas dos meus pais, me trancava no banheiro. Um dia me encarei no espelho e me vi. Vi que aqueles problemas não eram meus. Não podiam brecar minha vida. Então, devagar, comecei a me abrir às coisas boas, correr atrás do que eu queria, me expressar. Resolvi sorrir com os olhos, e sentir o vento fresco levando meus cabelos soltos junto com os fantasmas da minha vida.”
Zaira Coimbra, 15 anos, São Paulo (SP)
“No fim do dia, mesmo morto de cansaço, tenso do trabalho, aprendi a ligar o iPod nas caixas de som da sala e dançar pelos quatro cantos da casa. Pelos meus poros, entra a música e saem os problemas .”
Décio Di Giorgi, 33 anos, São Paulo (SP)
“Um truque excelente para quando estou muito irritada, com um problema insolúvel: dou uma dormidinha. Quando acordo, tudo parece mais fácil.”
Luísa Guedes de Oliveira, 27 anos, Florianópolis (SC)
“O melhor jeito de se livrar de pensamentos ruins insistentes antes de dormir é viajar: fechar os olhos e pensar no que faria se ganhasse na Mega-Sena, se fosse invisível, virasse mulher por um dia, construísse tijolo por tijolo a casa dos sonhos, tivesse três braços. Adormeço sem distinguir o que é imaginação e o que é um sonho bom.”
Luciano Felipe, 34 anos, São José (SC)
“Aprendi a nunca me despedir de uma pessoa querida antes de fazer as pazes. Um dia, em visita aos meus pais, em Niterói, discuti com a minha mãe justo na hora de pegar o carro e voltar a São Paulo. Zangado, não telefonei para dizer que cheguei bem, como sempre fazia. No dia seguinte, meu cunhado ligou: ela tinha falecido. Não tive tempo de me desculpar.”
Jorge Moreira, 59 anos, São Paulo (SP)
“Meu avô ficou um tempão me ensinando a assoviar. Eu tentava, assoprava o dia inteiro, e nada. Um dia assoprei forte e... fez barulho! Agora assovio o tempo todo. Quer ver?”,
Lucas Freitas, 4 anos, Chapecó (SC)
Aprendi que, não importa quanto eu queira, nem quanto
tente: eu não consigo mudar ninguém. As pessoas
são o que são. E preciso amá-las por sua verdade
“Sempre adorei ficar sozinha, desde criança. Não precisava de ninguém pra nada. Por isso, nem chorei na despedida da família e dos amigos quando fui morar no exterior. Bastou um mês longe de casa para eu ver que a certeza de estar rodeada pelos que me amavam é que me tornava tão independente. Solitária de verdade eu não era nada.”
Ana Paula Bosco, 28 anos, Xangai, China
“Sempre odiei lavar a louça. Já tinha tentado pratos descartáveis, garfar na panela, comer com as mãos. Ainda assim convivia com florestas de fungos se formando nos copos da pia. Até que aprendi: música para cantar junto, esponja com muito detergente, ensaboar tudo antes e enxaguar de uma vez. Nem é tão ruim.”
Ricardo de Brito, 30 anos, Curitiba (PR)
“Sempre tive resposta para tudo. Eu era a primeira a levantar a mão na aula, representante de classe, oradora de turma, representante de pais na escola das minhas filhas. Muito tempo depois, eu aprendi que ouvir é muito melhor que falar. Assim a gente cresce.”
Suzel Figueiredo, 48 anos, São Paulo (SP)
“Tive um carro maravilhoso, italiano, lindo. Cuidava tanto dele que quase nunca saía de casa, pra não gastar. Certa noite, num dos raros e prazerosos passeios com ele, bati em um muro. Foi-se meu tesouro. E aprendi que as coisas belas da vida precisam ser aproveitadas, não apenas protegidas.”
Carlos Vieira, 34 anos, professor, Florianópolis (SC)
“O mais importante da vida é a família, nosso verdadeiro porto seguro.”
Ivani Domingues, 33 anos, São Paulo (SP)
“O mais importante da vida é dar valor à intuição, a vozinha que nos indica o melhor caminho e nunca nos abandona.”
Juliana Parlato, 36 anos, São Paulo (SP)
“O mais importante da vida é ter saúde. Todos os outros problemas são pequenos, não valem o desgaste.”
Camila Akutsu, 29, São Paulo (SP)
“A coisa mais importante é ter respeito a todos. O patrão que te paga e a tia do café têm o mesmo valor. Muitos criticam costumes como o das castas, na Índia, mas ignoram o gari, a criança que dorme na calçada.”
Adevanir Paiola, 49 anos, Santo André (SP)
“O tempo é nosso maior patrimônio. Ele não volta. Por isso, deve ser bem gasto.”
Arquimedes Pessoni, 43 anos, São Bernardo do Campo (SP)
“O mais importante é o estudo. Sem ele eu não seria mais do que uma empregada doméstica, numa família de domésticas e de apanhadores de café. Sou da roça, minha mãe achava que mulher só precisava estudar até a 4ª série. Aos 11 anos já era doméstica, mas briguei, consegui uma bolsa numa escola técnica, paguei minha faculdade de Letras, fiz pós-graduação em inglês. Hoje sou professora, tenho casa, viajo a outros países. O estudo mudou minha realidade e me fez alcançar o mundo.”
Maria Helena Severiano, 37 anos, Sorocaba (SP)
“Para brigadeiros não virarem uma meleca, devemos misturar os ingredientes com persistência.”
Laís Sanseverino, 17 anos, Londrina (PR).
“Aprendi que a joaninha – a metálica, também conhecida como alfinete de segurança – é a melhor amiga da mulher. Prende a alça do sutiã que arrebentou, a bainha que se desfez, mantém alinhada a camisa naquele trecho entre os botões, na altura dos seios, que sempre se abre, vira fecho de sapato. E, em caso de emergência, se presta a arma de espetar. Só de ter uma joaninha comigo, já me sinto mais segura para enfrentar o mundo.”
Tânia Leopoldo Vargas, 46 anos, Porto Alegre (RS)
“Aprendi a fazer a barba na semana passada. Passei a gilete e... zap... três pelinhos sumiram. Quando eu for tão barbudo quanto papai, será muito útil.”
Leandro Ramos, 13 anos, Mococa (SP)
“Não lembro quem me ensinou, mas vejo como foi importante ter aprendido a fazer e soltar pipas, rodar pião, jogar bolinha de gude. Pude ensinar ao meu filho, de 10 anos. Essas brincadeiras simples, divertidas, que não se fazem mais, nos aproximam muito.”
Hermano Oliveira, 59 anos, São Paulo (SP)
“Aprendi que ser feliz não é uma constante. As tristezas da vida aparecem mesmo, fazer o quê? É preciso coragem pra mudar o que pode ser mudado, muita paciência pra aceitar o que não pode, e continuar tocando o barco, numa boa.”
Sofia Benini, 22 anos, São Paulo (SP)
“Aprendi que a felicidade é algo coletivo. Estar feliz depende de nós, mas muito mais do bem-estar geral. Viver feliz sozinho é ilusório: temos de assumir a responsabilidade de construir um mundo melhor e dividir as oportunidades igualmente para que todos possam chegar lá.”
Nina Valentini, 21 anos, São Paulo (SP)
“Meus filhos me ensinaram a amar sem possuir. Quando pequenos, me sentia dona deles. Cresceram. E aprendi que não posso viver suas vidas, decidir por eles, nem mesmo mantê-los perto de mim. Resisti à lição. Mas, enfim entendi que esse é o maior dos amores: quando nos doamos sem esperar nada em troca, quando os momentos juntos valem por todas as ausências. E, sobretudo, quando olho para eles e me orgulho do que fazem por si mesmos e pelos outros.”
Andréia Martinhago, 47 anos, São Paulo (SP)
“Sem querer, um dia aprendi a fechar os olhos e reabri-los em seguida. Não é uma piscadela qualquer. Quando volto a ver o mundo, obrigo-me a reparar nos pequenos detalhes. Agora, por exemplo, não vejo você, mas sua orelha grande que me lembra uma folha de orquídea.”
Klaus Salgado, 41 anos, Piracicaba (SP)
“Há 31 anos, quando a vi num ponto de ônibus, aprendi a amar loucamente minha mulher”.
Alziro Adevaltir, 59 anos, Cambé (PR)
“Já acreditei muito em algumas coisas, briguei por elas, e hoje vejo que não era nada daquilo. Por isso, aprendi que conviver com quem tem pontos de vista diferentes é fundamental. Temos várias certezas equivocadas por falta de informação, experiência ou reflexão. E ouvir outra opinião pode mudar tudo.”
Marcos Burghi, 42 anos, São Caetano do Sul (SP)
“Com a internet, eu aprendi que mais fácil do que ficar perguntando é procurar direto no Google.”
Deivison Elias, 28 anos, Santa Maria (RS)
“Aprendi a ver com o coração. Despertar para a evidência de que cada amanhecer é diferente; cada pessoa é única; uma chuvinha que cai refresca; uma roda de samba faz dançar também a alma; um colo de mãe é insubstituível. São tantos os sinais de beleza no dia-a-dia... A vida é linda, é só saber enxergar.”
Lina Lisbôa da Silva, 64 anos, Belo Horizonte (MG)
“Aprendi que tudo passa. Sempre. Então, calma. Dessa vez, também vai passar.”
Hanelore Schmmidt, 48 anos, Blumenau (SC)
“Um cachorro é o melhor presente para uma criança. Aos 9 anos de idade, meus pais me deram um vira-lata sarnento. Foi o presente da minha vida. Sempre repito o gesto com meus primos menores.”
Thais Nicoletti, 29 anos, Curitiba (PR)
“Viajar é o melhor presente para mim mesma. É secundário guardar dinheiro para comprar um apartamento, um carro. Tudo o que é investido em viagem retorna em (auto) conhecimento.”
Anita Martins, 26 anos, Byron Bay, Austrália
“A carreira era minha vida. Em 2001 fui ao Irã e não entendia como as mulheres lá preferiam não trabalhar para cuidar de filhos, da casa, viver no shopping. Hoje morro de inveja delas. Nós, mulheres que lutam por direitos iguais, vivemos à beira de um ataque de nervos, tendo de ser profissional, mãe, esposa, amante. Aprendi a ser mais oriental: priorizar minha casa, meu casamento e minha filha Victoria, de 6 anos.”
Soraya Castilho, 41 anos, Brasília (DF)
“Aprendi a ler. Os livros sempre me acompanham em minhas mudanças de cidade. Eles me ensinam coisas que ninguém me explica, me deixam alegre e às vezes triste (mas é tristeza boa), me distraem do que não quero pensar. Não canso deles e eles não cansam de mim, ao contrário da maioria das pessoas, que são enjoativas. Ler ajuda a gente quando o que dói não tem remédio e também nos cuida quando estamos bem.”
Lucas Hasegawa, 11 anos, Curitiba (PR)
“PApprenpdi pa plínpgua pdo PP.”
Regina Wensley, 10 anos, Salvador (BA)
O melhor jeito de se livrar de pensamentos ruins antes
de dormir é viajar: fechar os olhos e pensar no que
faria se ganhasse na Mega-Sena, se fosse invisível,
tivesse a casa dos sonhos ou três braços...
“Aprendi a me sentir maravilhosa como sou. Gastei a adolescência retraída, porque era altona, cabelos indomáveis, quilos extras. Depois vi que, sendo chamativa, era a primeira a ser atendida, era ouvida quando falava, a mais notada da pista de dança. Empolgada, resolvi mostrar ainda mais minhas diferenças: fiquei colorida, estampada, decotada, ampla. Descobri que podemos mudar o jeito como nos vemos, e com isso encantar os outros.”
Simone Vaz, 34 anos, Salvador (BA)
“Aprendi a não me levar a sério. Começou na 5ª série, quando, a contragosto, tive de cantar Boneca de Piche, de Ary Barroso, na apresentação da escola. Desafinei, travei, fechei os olhos. Quando reabri, o público queria... mais um número de humor! Então comecei a contar piadas, fazer imitações. Foi uma multidão de palmas para a menina desafinada. Sou palhaça até hoje (risos por dois minutos).”
Rosana Katz, 83 anos, Vitória (ES)

“Aprendi a ser amiga do Sol, cansei de vê-lo como vilão. Então o aproveito com parcimônia, todas as manhãs, caminhando pela orla. Olho para ele, desejo bom-dia, e um raio de luz faz uma sombra minha esticada na calçada – prova de que sou uma grande pessoa.”
Fernanda Lopes, 29 anos, Rio de Janeiro (RJ)
“Aprendi a ser sempre o primeiro a pedir desculpas.”
Tiago Pimenta, 28 anos, São Paulo (SP)
“Aprendi a fazer o bem e não olhar a quem. Um dia, de carro, vi uma senhora, moradora de rua, tentando atravessar a rua. Pôs o pé fora da guia, mas um carro buzinou e passou. Tentou novamente: outro buzinou e acelerou. Ela voltou à calçada, desanimada. Então parei e fiz sinal para ela atravessar. Ela parou na frente do meu carro e me mandou um beijo. Saí dali emocionada, pensando na carga de fluidos positivos que recebi em troca de uma simples freada.”
Solange Barioni, 58 anos, São Paulo (SP)
“Quando eu era criança, no sítio da vovó, o sabão era feito de gordura de porco e a horta vivia “suja” de cascas de legumes. Tínhamos de pedir permissão à terra antes de arrancar uma cenoura, não se amaldiçoava a chuva, jogar papel de bala no córrego dava castigo. Não entendia muito bem o porquê dessas coisas... até que ecologia virou moda. E vi quanto meus pais e avós, gente da terra, que respeita a natureza porque precisa dela, haviam me ensinado.”
Josi Campos, 30 anos, Raul Soares (MG)
“As coisas que não planejamos são as que definem nossa história. Quis ser dentista, me formei veterinária. Sonhei morar na praia, mudei para um sítio. Achava casamento um horror, e disse sim de vestido branco, feliz da vida. Achei que seria para sempre, e acabou. Pensei que nunca mais encontraria o amor, e ele apareceu na fila do açougue. Não queria ter filhos, tive três maravilhosos. Quando o médico disse que o caroço no seio era um tumor, senti que ia morrer, mas continuo aqui. Ainda me surpreendendo.”
Liana Cruz, 60 anos, Novo Hamburgo (RS)
“Aprendi que, se a gente insistir bastante, muito mesmo, tentar sem parar, consegue o que quer. Como andar de bicicleta sem rodinha ou ganhar um cachorro. Eu tive de tentar muito pra conseguir essas coisas e dava sempre errado, até que um dia deu certo. Minha mãe diz que isso é teimosia, mas eu digo que é per... persi... ‘persinência’? É, isso, eu sou ‘persinente’.”
João Pedro Felipe, 7 anos, São José (SC)



















































